Diesel fura teto dos R$ 5 e preço pode chegar a R$ 5,453 o litro

Foto: Alessandro Maschio/JP

A Petrobras autorizou ontem o aumento do preço do diesel e da gasolina; Abicom quer mais reajustes

O preço do diesel deve furar o teto dos R$ 5 e passar a custar até R$ 5,453 em Piracicaba. O cálculo foi feito com base no reajuste anunciado ontem pela Petrobras e no levantamento fechado no último sábado (23) pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) sobre os preços ao consumidor na cidade. A gasolina deve ir a R$ 6,632 o litro. O diretor regional de Piracicaba da Recap (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas e Região), Augusto César Mafia, prevê que as altas poderão ser percebidas nas bombas até o próximo fim de semana, quando o estoque de cada ponto de venda acabará e uma nova remessa deverá ser adquirida na distribuidora.

A Petrobras anunciou ontem (segunda-feira) o novo reajuste: a gasolina terá aumento de 7% nas refinarias e o diesel de 9,2%, passando a custar, respectivamente, R$ 3,19 e R$ 3,34 por litro. Os aumentos, por litro, foram de R$ 0,21 e R$ 0,28, respectivamente. Os novos valores passam a ser praticados hoje (terça-feira).

Nos postos de abastecimento, o preço do combustível cresce com a adição de impostos e das margens de lucro da Petrobras, distribuidores e revendedores. Ainda pesam no preço as misturas de etanol anidro, no caso da gasolina (27%), e do biodiesel no diesel (10%).

Em comunicado, a Petrobras disse, na semana passada, que as distribuidoras encomendaram mais combustíveis para novembro do que de costume, e que não teve tempo de se preparar para esse incremento, o que deveria ser feito pelos importadores. Segundo a estatal, comparado com novembro de 2019, a demanda por diesel aumentou 20% e a de gasolina, 10%. A informação não é corroborada pelo diretor da Recap.

“O tíquete médio do consumidor não mudou com a alta dos preços. Ou seja, a pessoa que abastece R$ 50 continua gastando o mesmo valor. Entretanto, leva menos produto porque o preço por litro aumentou. É possível notar que o consumidor não consegue acompanhar o mesmo ritmo dos reajustes. No cenário mundial, as perspectivas não são boas porque o preço do barril de petróleo está próximo à situação de guerra, como foi na do Golfo, chegando a US$ 100”, comenta César Mafia. Ontem, o barril fechou cotado a US$ 85,11. O reajuste anunciado está inflando a greve dos caminhoneiros, marcada o próximo dia 1°.

MAIS ALTO
Os preços continuam defasados em relação aos praticados no mercado internacional, segundo o presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), Sérgio Araújo. Ele informou que a gasolina está com o preço no mercado interno 7% abaixo do exterior, e do diesel, 9%. Para equiparar os preços, a Petrobras teria que elevar o preço do litro em R$ 0,37 para a gasolina e em R$ 0,47 para o diesel.

Para o diretor da Recap em Piracicaba, entre interferir no preço do barril – com ajuda da Petrobras – ou no câmbio, o que está mais ‘a mão’ é mexer com impostos estaduais. “mas não podemos quebrar o Estado”, aponta Mafia lembrando que a arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é essencial na composição da receita das unidades federativas.

Cristiane Bonin
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