Disciplina positiva: entenda o conceito e saiba como aplicá-lo às crianças

Foto: Amanda Vieira/JP

Mãe compartilha experiência de uso desse método na criação dos filhos

A criação de filhos evoluiu com o passar dos anos e a tecnologia, que para muitos é vista como uma vilã, auxiliou para que algumas mães e também pais, pudessem transmitir valores para as crianças, de modo objetivo, não agressivo ou ao menos permissivo, por meio da popularização do conceito da Disciplina Positiva, idealizado por Jane Nelsen, a partir dos pensamentos dos psicólogos Alfred Adler e Rudolf Dreikurs, há mais de três décadas.

Esse é o caso de Rafaela Bertoloto, mãe de duas crianças, empreendedora local e influenciadora digital sobre maternidade e educação infantil.

A proposta da Disciplina Positiva é de encorajar crianças e adolescentes a tornarem-se responsáveis, respeitosos, resilientes e com recursos para solucionarem problemas por toda a vida, por meio de uma educação a base de respeito, com limites pré-estabelecidos por pais e responsáveis. O conceito defende ferramentas que são ao mesmo tempo gentis e firmes.

Quando seu filho mais velho tinha 10 meses de idade, Rafaela conta que sentia dificuldade para alimentá-lo, pois ele não queria comer. Gritavam entre si, choravam e ela se sentia frustrada, se perguntava se a maternidade era mesmo para ser daquela forma. Foi quando começou a pesquisar sobre o assunto e descobriu a disciplina positiva. “A partir do momento que eu parei de gritar com o meu filho, ele também parou”, ressalta.

Rafaela acrescenta que a relação mudou no sentido de respeito. “Parece muito simples dizer, mas quando vivemos a maternidade em tempo integral, em muitos momentos, nós, mães, nos encontramos exaustas e o respeito vai embora. Percebi na prática o quão desrespeitosa eu fui e consequentemente, como nossa relação de mãe e filho estava difícil”.

Ela exemplifica: “Você grita com um adulto ou companheiro de trabalho? Provável que você responda que não. Então te pergunto: Você grita com seu filho? No meu caso, eu gritava. Mas por que nos achamos no direito de gritar com uma criança e não com um adulto? Por que devemos respeitar o adulto e não a criança? Este é apenas um exemplo, simples, mas que foi aí que tudo começou a mudar”.

O preconceito é a maior dificuldade dos pais que seguem essa filosofia de vida para educar seus filhos, segundo Rafaela. “Infelizmente, a nossa sociedade ainda não está aberta ao tema. A partir do momento que você adentra neste meio, trazer o diálogo para dentro de sua casa, com seu filho, acaba sendo visto por muita gente como “permissividade”, “deixar o filho fazer de tudo”. Além disso, outra dificuldade é: muitas vezes os próprios cônjuges não estão abertos. Por exemplo, o meu marido precisou ver a mudança do meu filho para sentir que realmente a Disciplina Positiva “funcionava”.

A mãe ainda cita o assunto da culpa materna. “A Disciplina Positiva exige forte controle emocional. Quando não conseguimos mantê-lo e temos uma atitude de repressão ou de gritar, por exemplo, nos sentimos culpados. Com o tempo, quando errarmos, saberemos também nos perdoar e pedir desculpas ao nosso filho, porque faz parte de todo este processo”, tranquiliza.

Laís Seguin
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