Distrito de Tupi: patrimônio piracicabano chega aos 100 anos com cultura, turismo e história

Local tem 7 mil moradores e seu Horto Florestal, com 198 hectares, é considerado ‘pulmão’ do interior

O povoado que deu origem ao distrito de Tupi se desenvolveu ao redor da estação ferroviária inaugurada pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, em 29 de julho de 1922. Nestes 100 anos, muitas histórias para contar. O JP, por exemplo, sempre acompanhou a evolução do bairro, um dos mais tradicionais de Piracicaba. Exemplar de 1968 é guardado com cuidado pelo historiador Antonio Carlos Angolini, que além de morador, tem trabalhado para melhorar a infraestrutura da região e tornar Tupi mais turístico do que já é. Hoje, moram por lá cerca de 7 mil pessoas.

“Para falar do nascimento de Tupi, temos que contar a história da ferrovia. Piracicaba já tinha a ferrovia Ituana, que depois virou Sorocabana. Em 27 de agosto de 1875, foi inaugurado o tronco ferroviário; a família imperial inaugurou em Santa Bárbara a primeira estação ferroviária, em torno da qual surgiu a Vila Americana. Na época, Piracicaba ficou chateada, apreensiva, querendo que esse tronco passasse por aqui também e, como não foi possível devido ao custo, passou-se trabalhar para que um ramal fosse estendido até Piracicaba. Em 1902, autoridades daqui conseguiram junto ao Governo do Estado a promessa da construção do ramal, isso foi no final de abril daquele ano. E Piracicaba, em 1 de maio de 1902, fez uma grande festa para comemorar a vinda da ferrovia para cá”, conta Angolini.

No entanto, até a empreitada se concretizar houve um longo caminho. “É bem verdade que a Câmara teve que negociar, pagar muitas taxas e é verdade também que a ferrovia ficou parada muito anos. Só em 1916, quando a Câmara teve que pagar a última parcela, foi inaugurada a Estação de Recanto, lá em Nova Odessa, quando se abriu a possibilidade do ramal para Piracicaba. Em 1917, Santa Bárbara ganhava sua segunda estação. Piracicaba seguia naquela expectativa. Mas tivemos a primeira grande guerra, então, protelou-se a construção. Depois de um tempo, seguiu a obra e o traçado começou de Santa Bárbara a Piracicaba.

PRIMEIROS MORADORES
Angolini conta que a construção do ramal era feita na base de picaretas, com carroças transportando terras para fazer os aterros, e com uso de dinamites para estourar as pedreiras. “Mas ainda não existia Tupi. Existia a Fazenda Morro Grande, o Tijuco Preto, aqui sempre foi tudo Tijuco Preto. O administrador da Fazenda Morro Grande era o italiano José Basso e ele começou a trabalhar bastante junto às autoridades para que uma estação fosse construída. O governo, então, fez uma imposição para concretizar a obra: que arrumasse uma terra para fazer um horto florestal. A terra foi conseguida e o local passou a se chamar Estação Experimental de Algodão de Piracicaba. Então, em 29 de julho de 1922 foi inaugurado o ramal de Santa Barbara a Piracicaba, as chamadas Estação de Tupi e a Estação de Caiubi. Foi novamente grande festa com a chegada da ferrovia até Piracicaba”, relata.

A Câmara Municipal, rapidamente, providenciou a compra de 19 alqueires de terra da Fazenda Tijuco Preto e abriu um loteamento com seis alqueires – foi quando começou a venda dos terrenos de Tupi. São nesses seis alqueires que se encontra o núcleo principal do distrito. A partir daí, começou o povoado.

“O primeiro a comprar um lote foi Augusto Marengo, que morava na região, no bairro Pinheirinho. Ele era descente de franceses e comprou os melhores terrenos. Montou um armazém de madeira para atender o pessoal que estava construindo a ferrovia. Isso foi em 1921. Logo em seguida, veio um imigrante português, José Gonçalves Barroso, que levou meses construindo sua casa, de barro batido, e montou também um armazém, na rua 13 de maio. Esses armazéns atendiam ‘turmeiros’ que trabalhavam na obra da ferrovia. E assim começa Tupi e seu Horto Florestal”, conta historiador.

E tem muito mais história. Segundo Angolini, em 1923, Marcelino Boareto construiu um prédio e transferiu as escolas da Fazenda Morro Grande, até então isoladas, para esse novo local. Foi neste ano que escolas reunidas de Tupi começaram a funcionar. “Também em 1923 inaugurou-se a primeira capela, a capelinha de São José. Em 1928, oficializou-se a doação desse terreno da capela à Cúria de Campinas. E, depois, em 1935, começa a construção de uma ampla capela e em 1940, inicia a Festa de São João. Assim, começou Tupi a se desenvolver. Em 1950 chegamos a ter aqui cinema, bailes, festas”. A elevação oficial à condição de distrito ocorreu em 1936.

Antonio Carlos Angolini: historiador e um apaixonado por Tupi. Foto: Amanda Vieira/JP
Primeira casa de Tupi, construída por José Gonçalves Barroso. Foto: Arquivo/Antônio Angolini
Exemplar do JP de 17 de março de 1968. Foto: Reprodução/JP
Angolini guarda edição histórica do JP. Foto: Amanda Vieira/JP

Nani Camargo
Especial para o JP

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