‘Dívida do Semae chega próximo ao caixa anual da prefeitura’

Servidor público e funcionário antigo da autarquia foi ouvido ontem pela CPI do Semae, da Câmara

O montante da dívida acumulada pelo Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) chega perto dos R$ 2 bilhões, valor do orçamento anual da prefeitura. A informação é do servidor público José Carlos Magazine, que foi ouvido ontem (quinta-feira) pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Semae. O depoente também falou sobre a PPP (Parceria Público-Privada) com a Concessionária Mirante, as gestões anteriores de Gabriel Ferrato e Barjas Negri (PSDB) como prefeitos e sobre problemas antigos e atuais da autarquia de saneamento. O levantamento sobre a oitiva foi feito pelo Jornal de Piracicaba junto ao gabinete da vereadora Rai de Almeida (PT), presidente da CPI.

A reportagem do JP já questionou o tamanho do rombo no caixa do Semae, que se negou a passar a informação. Magazine, que é funcionário do Semae desde 1998, diz que a dívida atual com a Mirante ultrapassa a casa de bilhão de reais. Classificado pelo gabinete da vereadora como uma oitiva bombástica e um dos dias mais importantes da CPI, o servidor criticou o contrato com a Mirante na gestão de 2012 de Barjas Negri (PSDB) por R$ 333 milhões. Os principais investimentos da PPP destacados na época em que foi firmado o contrato foram: extensão da rede de esgoto (253 km), troca de rede coletora (170,5 km), implantação de ramais de esgoto (33.500 unidades), troca de ramais (18.600 unidades), recuperação e melhorias dos sistemas existentes (Estação de Tratamento de Esgoto – ETE e estação elevatória), implantação e substituição de hidrômetros, construção e ampliação de ETEs e construção de onze estações elevatórias. “Não se justifica a ter repassado o serviço para a Mirante porque o Semae dava conta e, inclusive, tinha recursos para emprestar à prefeitura para fazer frente a emergências.

Agora, a situação não é boa em termos de caixa, acredito ser um projeto de sucateamento da autarquia para repassar a parte da água”, disse Magazine. “Em relação à água, é preciso investimentos para bombas e estações elevatórias, o que não estão sendo feito. Tem quilômetros de tubos comprados e parados no Semae para fazer investimentos na distribuição de água.” Segundo o depoente, os problemas começaram em gestões anteriores, tanto do Semae quanto da prefeitura. “Os responsáveis tomaram conhecimento da situação, foram informados, e não avançaram na responsabilização e solução dos problemas e isso inclui a então gestão do vice- -prefeito atual Gabriel Ferrato que, como prefeito, teve a oportunidade de tomar providências e não o fez.” Sem pronunciar nomes, Magazine “faz uma carta forte” sobre a situação atual do Semae ter relação com a gestão de Barjas. “Ele também desfere uma estocada na agência reguladora [a Ares- -PCJ], dizendo que recebe em torno de R$ 500 mil ao ano do Semae, entretanto, não fiscaliza de maneira adequada”, informou o gabinete da vereadora Rai. Magazine apresentou à CPI alguns documentos e se disponibilizou a mostrar outros e, também, sugeriu alguns nomes de servidores para novas oitivas – segundo ele, o setor de fiscalização não está conseguindo trabalhar adequadamente.

Cristiane Bonin

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