Doar Sangue: ser a esperança de alguém

Júlia doou sangue pela primeira vez durante a pandemia. (Foto: Amanda Vieira/JP)

O poder que uma bolsa de sangue tem para salvar vidas está intimamente ligado à jovem estudante de direito Júlia Camargo da Silva, 20, desde 2016. Naquele ano, após a amputação do pé por uma infecção, seu pai, Hélio da Silva Jr, foi quem precisou da doação. Na época, Júlia tinha menos de 16 anos e, por isso, não poderia doar, mas uma tia o fez. Com este marco, mais a inspiração de uma amiga doadora de sangue e as campanhas que vê na TV, em 9 de abril, em meio à pandemia, Júlia fez sua primeira doação. “Doar sangue é um gesto de amor, empatia, [é] saber que você é a esperança de alguém, sabe? Salvar uma vida”, comenta.


Iniciativas como a de Júlia fizeram com que a queda de 30% nas doações no hemonúcleo Piracicaba não fosse ainda maior. O isolamento social em decorrência da pandemia do novo coronavírus impactou as doações de sangue em todo o país. O dado foi levantado pela assistente social do hemonúcleo Piracicaba Kelly Bordes e diz respeito aos meses de março a maio deste ano comparados com o mesmo período do ano passado.

Com o inverno, as doações também tendem a cair e, para evitar que o estoque de sangue fique crítico, o Hemocentro Unicamp realiza a campanha Junho Vermelho (#live_sangue_vida), em homenagem ao Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado neste domingo (14). “O Junho Vermelho é uma campanha muito importante que visa lembrar a importância da doação de sangue e estimular este gesto na sociedade”, explica Kelly.

“Campanhas diziam que os bancos estavam passando por problemas pela falta de doação, então trabalhei na empatia de querer ajudar aqueles que precisam”, relata Júlia sobre a decisão de se tornar uma doadora. “O que falta nesse caso para as pessoas é informação. As pessoas têm receio de como funciona a doação, pensando que pode prejudicar a sua saúde, sendo que não é nada disso. Tem todo um suporte no ato quando você vai doar. Eles medem seus sinais vitais, fazem um questionário, dão uma alimentação antes e após a doação, para que tudo ocorra bem e você sinta o mais confortável possível”, explica.

Durante a pandemia, além dos procedimentos regulares, os hemonúcleos se organizam para não gerar aglomeração. Quem quiser contribuir para salvar vidas pode agendar a doação no site do Hemocentro (https://agendamento.hemocentro.unicamp.br/). Os doadores também são orientados a evitar levar acompanhantes ou ir em grupo, não comparecer ao local se estiver com febre, tosse seca e coriza ou ter viajado ao exterior nos últimos 30 dias. Há ainda a utilização de álcool em gel em cada fase do processo.

A decisão de Júlia de doar sangue também foi pensada no contexto de como ajudar o sistema de saúde, que está sobrecarregado por conta da pandemia. “Doar sangue, fazer um gesto de solidariedade e amor, pensar no outro e nos aproximar, mesmo distantes, nesse momento seria crucial. [Mostra] que estamos todos juntos, mesmo longe”, reflete a estudante de direito.

Outra forma de incentivo e para proteger os doadores da covid-19 foi a parceria realizada entre o Hemocentro Unicamp e o aplicativo de transporte 99Táxi que, por meio do cupom de desconto DOESANGUECPS, fornece duas corridas no valor de R$30 para ir e voltar das unidades de coleta. Entre elas está o hemonúcleo Piracicaba, que fica na rua Silva Jardim, 1700 (antigo prédio do Saúde Inteligente), de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h.

Andressa Mota

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