A Polícia Civil identificou que os golpes pela internet realizados por meio de roubos pessoais, dobraram nos primeiros meses da pandemia da covid-19. Somente entre os meses de março a maio deste ano, a UIP (Unidade de Inteligência Policial) do Deinter-9 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior) identificou o aumento de 108% na darkweb (parte oculta da internet, que não é possível rastrear pelos mecanismos de busca pessoal). É nessa parte obscura da internet que os golpistas procuram informações. E acredite: dependendo do caso é possível conseguir dados de documentos pessoais e até placa de carro.

No entanto, se engana quem pensa que é necessário ter conhecimento profundo de internet para “pescar” uma vítima. Basta ter acesso às redes sociais, onde muitas pessoas deixam as dicas de rotina e até onde estão em tempo real. Foi dessa forma que um estelionatário conseguiu uma vítima de falso sequestro. Ele ligou para os pais de uma jovem, alegando que estava com  a filha e após horas ao telefone conseguiu enganá-los. Somente depois de concluírem a transação descobriram, que na verdade, a menina estava ao cinema. Após conversar com policiais civis, a jovem confessou que tinha postado no Facebook, que desligaria o celular e até marcou o cinema onde estava.

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“Os criminosos já estavam monitorando essa família e encontraram a chance perfeita para aplicarem o golpe, pois sabiam que ela estaria incomunicável com a família por um tempo”, alertou o investigador Mauro de Souza Júnior, da UIP. O diretor do Deinter-9 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior) Kléber Antonio Torquato Altale disse que as pessoas precisam ter cautela e cuidado com as informações pessoais. “É importante que desconfiem tomem os cuidados, mas se forem vítimas de golpe procurem a delegacia mais próxima”, disse Altale.

SOFISTICADOS

Um dos primeiros golpes nesse sentido é do falso sequestro que está sendo usado há dez anos. “Por mais que pareça ultrapassado, os criminosos conseguem fazer uma pressão psicológica e a vítima se abala”, comentou o investigador. Na região de Piracicaba, um empresário fez duas transferências no valor de R$ 140 mil, pois pensou que a filha estava sequestrada. Os golpistas tendem a manter as vítimas ao telefone sob coação e ameaças. Na região do Deinter, uma vítima chegou a ficar 15 horas seguidas conversando com criminosos. Eles também mandam que a pessoa vá para um hotel para pernoitar até a manhã seguinte para conseguir realizar algumas transações bancárias com valores mais elevados.

Um casal de São Pedro chegou a ir até um hotel, mas o homem passou mal devido ao nervoso. O gerente chamou o resgate e acabaram descobrindo que era golpe. “Já atendemos casos, em que a vítima é orientada a comprar um novo celular para falar exclusivamente com os criminosos”, completou o policial.

Outro tipo de golpe é do falso leilão. A pessoa tenta comprar pelo site que parece ser verdadeiro com preços até 50% abaixo da tabela. Uma vítima na região do Deinter perdeu R$ 95 mil, após tentar comprar um Porsche pelo site do leilão. Os golpes da clonagem do WhatsApp são registrados diariamente na região. ​

DICA PARA RECUPERAR CONTA

A Polícia Civil explica como recuperar a conta clonada do WhatsApp. É necessário mandar e-mail para [email protected] Colocar no assunto “Perdido/roubado, por favor, desative minha conta”. Depois no corpo do e-mail relate que sua conta foi subtraída e solicite a restauração. “No período de três a cinco dias a conta é reativada. Outra dica é a confirmação em dois tempos do WhatsApp e nunca informe seu código à estranhos”, diz Mauro.

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