Doces e o espírito junino

O bolo de mandioca é quitute essencial em tempos juninos | Foto: Ana Bacellar

No universo gastronômico e festivo, o grande desafio diante da pandemia da covid-19 neste mês de junho é lidar com a falta das tradicionais festas juninas. Claro, não pode a céu aberto porque forma aglomeração – já viu uma festa junina vazia? –, mas e se acontecer dentro de casa, em família e com todas as gostosuras típicas, para comer e beber? A renomada chef paulistana Heloísa Bacellar está super de acordo com esta ligeira alteração e momentânea transferência de local e com muitas receitas em mãos.

Doces juninos é um assunto que ativa as memórias de Heloísa, muitas da infância, da época de aventuras pelo campo, no interior de São Paulo, na companhia do irmão. “Saíamos a cavalo e, pelo caminho, passávamos nas casas de várias pessoas por perto para tomar café, experimentar um doce. Eu, xereta, queria aprender a fazer também”, conta a chef sobre o que ela classifica de ‘intensa’ relação com a cozinha do mundo interiorano. “Provando aprendi muito do mundo simples e ligado à terra”.

Para a chef, junho, e as respectivas festas alusivas ao mês, remete à alegria e, segundo ele, ter muitos doces é algo que se assemelha às festas de junho na Europa. “Mas tem também ligação com produtos da época. O doce, claro, tem um espaço considerável nos cardápios”.

Fazer uma festa junina em casa é viável e interessante ao atual momento do mundo. “É sempre saudável, agora que estamos trancafiados, poder inventar coisas diferentes para o convívio e não endoidar”, ela brinca. Heloísa sugere, por exemplo, convocar a criançada para fazer bandeirinhas e enfeitar a casa no dia da festa”.

O primeiro doce que não pode faltar numa festa junina improvisada em casa, para Heloísa, é o doce de abóbora. “Pode ser em calda, cozido, em pedaços e vira até um doce de colher, cristalizada”. Um dos prediletos da chef é o de batata-roxa. “Um doce gostoso e visual”.



Amendoim e milho são os protagonistas. “Além de bolo, curau, pamonha, pode-se fazer canjica. Fácil de preparar e com possibilidade de inovar com tirinhas de laranja e pedaços de amendoim”. O amendoim, por sua vez, merece destaque com a inigualável paçoca, “que todo brasileiro ama”, segundo ela.

O bolo de mandioca é a outra iguaria elementar numa festa junina caseira, aponta a chef. “Compra a mandioca descascada, pega os talos, rala e mistura junto aos demais ingredientes para levar ao forno. Encontra tudo fácil, deixa todo mundo feliz e com baixo custo”. Para acompanhar, a já citada canjica. “Assim como o bolo de mandioca, pode ser servido logo pela manhã ou à tarde. É versátil e rende”, completa Heloísa.

E que tal um vinho quente para acompanhar? “Todo o álcool do vinho evapora quando vai ao fogo, fica leve, e até os adolescentes podem beber”, ela ressalta. Pode ser um vinho simples, barato, porque o gosto será também diluído com especiarias. “A ideia é ser básico, mesmo”.

Erick Tedesco ([email protected])