Doentes e sem emprego, eles buscam o sustento nas ruas

Foto: Alessandro Maschio/JP

Alessandro Santos, morador de Tatuí, está nas ruas desde 2015. Após a morte dos pais, ele entrou em depressão profunda, teve a obesidade agravada e não conseguiu mais trabalhar. A partir de então passou a buscar sustento nas ruas. Há alguns meses em Piracicaba, ele permanece sentado próximo a um semáforo, na avenida Governador Pedro de Toledo. Com um cartaz nas mãos ele apela à caridade e boa vontade dos motoristas.

Ele contou que trabalhava com o pai em Tatuí, com serviço de refrigeração porém, com a morte do pai e da mãe, entrou em depressão e não conseguiu mais trabalho. Agora, em Piracicaba, ele vive em uma pensão e tem pagado as despesas com o pouco que recebe nas ruas. Santos aguarda ser chamado para fazer uma cirurgia bariátrica em um hospital na Capital.

Também à espera de uma cirurgia de catarata, José Aparecido, 65 anos, busca um emprego. Ele disse que o peso da idade é um dos empecilhos para conseguir uma colocação no mercado e há três meses resolveu expor sua situação nas ruas. Ao mesmo tempo em que chama a atenção para a falta de trabalho ele conta com os trocados recebidos por motoristas e pedestres. “Estou juntando dinheiro para pagar por uma cirurgia de catarata”, afirmou.

ABRIGO

Tanto Alessandro como José não precisaram recorrer aos abrigos para pernoite disponibilizados pela Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social) de Piracicaba. Para aumentar a oferta de abrigo à população de rua, a pasta ampliou em mais 70 o número de vagas nos serviços de acolhimento. Segundo a pasta, até quinta-feira, 65% das novas vagas estavam ocupadas. A secretaria informou que o total de vagas ampliadas pelas equipes pode chegar a 100, caso as primeiras se esgotem.

“Essas vagas chegaram a ser 80% ocupadas na última noite. Isso se deu, principalmente, pelo trabalho do Seas – Serviço Especializado em Abordagem Social da Smads, que intensificou as abordagens e ampliou o horário de trabalho, e está nas ruas até a 0h todos os dias, inclusive aos finais de semana, no intuito de abordar e levar as pessoas até os locais de pernoite, protegidas do frio, com refeição e banho”, informou a secretaria em nota.

A Smads conta com o apoio da Guarda Civil, atuando na abordagem às pessoas em situação de rua, das 18h às 6h, levando os interessados aos abrigos quando necessário.

A força-tarefa também conta com auxílio de voluntários da sociedade civil, que realizam ações solidárias com essa população. Os voluntários têm conversado e informado as pessoas para que usem o acolhimento.

A pasta informou que algumas pessoas em situação de rua ainda oferecem resistência em aceitar o pernoite nos abrigos.

PESQUISA

A Smads iniciou este mês a aplicação do censo da população em situação de rua do município. A pesquisa tem por objetivo apresentar o número e o perfil dessas pessoas, origem, causas de estarem nas ruas, se já são tipificadas como em situação de rua ou se têm suas casas e fazem uso das ruas por alguns períodos e se mantêm vínculos familiares.
O estudo é aplicado pelos educadores do Seas (Serviço Especializado em Abordagem Social), serviço da Smads executado em parceria com o Crami (Centro Regional de Atenção Aos Maus Tratos na Infância) e tem a parceria da empresa Indsat.

Beto Silva
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