Dor de crescimento existe? Sim, e acomete meninos e meninas

Foto: Pexels

Essa dor surge à noite e acomete preferencialmente coxas, canelas, panturrilhas ou atrás dos joelhos

O início da infância é período em que as crianças mais crescem. Junto da idade os pequenos brincam, correm, escalam objetos, jogam bola, pulam, rodopiam e quando chega a hora de voltar para casa e tomar banho ainda ficam chateados, pois queriam brincar ainda mais. De noite, porém, surge uma dor intensa e inexplicável, a ponto de levar a criança ao choro e na manhã seguinte a criança está totalmente assintomática e não apresenta nenhuma limitação física. “Relatos como este podem sugerir Dor de Crescimento, que além do aparecimento noturno , normalmente é bilateral e sua localização preferencialmente nas coxas, canelas, panturrilhas ou atrás dos joelhos”, afirma a médica pediatra, Dra. Felícia Szeles.

Esse tipo de caso, pode se tratar de uma condição benigna (ou seja que não faz mal ao corpo), de evolução crônica e de curso autolimitado. Essa Dor do Crescimento causa dor normalmente nos períodos noturnos, quando o corpo descansa, e esse incômodos são localizados principalmente nas juntas da criança, como joelho e dedos.

O início das crises geralmente ocorre entre 3-12 anos, sendo mais comum entre 3 à 5 e 8 à12, podendo afetar meninos e meninas igualmente e é possível detectar histórico familiar positivo. Embora não tenha relação com nenhuma fase do crescimento físico, o termo “dor do crescimento” foi consagrado no século 19 e desde lá o uso constante, mas hoje em dia é afirmado que não tem relação com o crescimento da criança.

Uma das hipóteses mais aceitas atualmente relaciona o aparecimento da dor do crescimento com o uso excessivo da musculatura ao longo do dia.

Apesar de muito comum e ser benigna, é um diagnóstico de exclusão e sempre deve ser diferenciada de outras causas de dor presentes em doenças mais sérias como leucemia, por exemplo, ou problemas ósseos.

Segundo a especialista, não há explicação totalmente comprovada sobre as causas dessa dor. “Algumas teorias falam sobre a hipermobilidade articular e fadiga muscular que ocorrem em dias de muita atividade física realizada pelas crianças, que provocariam a dor noturna”, explica. Ela lembra que, quando a dor não é sempre no mesmo local e não vem acompanhada de febre, emagrecimento, manchas nas pernas, inchaços ou limitação do caminhar, os pais podem ficar tranquilos. “Mas uma consulta com o pediatra é fundamental para afastar outras suspeitas”, alerta Dra. Felícia.

Se a dor é frequente ou insuportável o ideal é procurar um pediatra para avaliá-lo, pois apenas alegar ser uma Dor de Crescimento, pode acarretar em um agravamento de doenças.

TRATAMENTO

Por ser um problema benigno e até natural no corpo das crianças, não é necessário nenhum tratamento, uso de medicamentos ou consultas especializadas em fisioterapia. Contudo, para amenizar as dores, a pediatra recomenda um tratamento de acolhimento por parte dos pais. “É interessante dar atenção às reclamações e ficar ao lado da criança. Para aliviar o incômodo, os pais podem fazer uma massagem na região. Se for muito forte, os pais podem dar um analgésico simples ou usar uma bolsa de água quente no local”, diz a médica. Outra dica é fazer alongamentos regularmente, o que pode ajudar na prevenção.

A Dra. ainda ressalta que as dores não causam nenhum tipo de deformidade nem restrição de movimentos. “Do mesmo jeito que ela vem, ela vai, mas o mais importante é sempre consultar o pediatra para que ele descarte condições mais graves”, finaliza a especialista.

Larissa Anunciato
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