Dos 400 km previstos no Plano de Mobilidade, ciclovias em Piracicaba não somam nem 6 km

Foto: Alessandro Maschio/JP

Manifesto por mais segurança e ciclofaixas reuniu cerca de 250; vitima fatal foi lembrada em ato

Dos 400 quilômetros de ciclovias previstos no Plano de Mobilidade de Piracicaba, a cidade conta atualmente com 5,8 quilômetros de espaço destinado a ciclistas. A falta desses espaços e a consequente insegurança a que esse público é submetida, somada à morte do aposentado José da Costa Gonçalves, 57, ocorrida na manhã desta segunda-feira (22), reuniu cerca de 250 ciclistas na noite de ontem (23) em Piracicaba. O grupo, organizado pelo Coletivo Mais Ciclovias Piracicaba, se concentrou em frente a Coplacana, seguiu pela avenida Comendador Luciano Guidotti, onde foram depositadas flores no local do acidente fatal e depois seguiu até a sede da Semuttran (Secretaria de Mobilidade Urbana, Trânsito e Transporte).

O filho do aposentado, Danilo Mendes da Costa, 31, participou do manifesto. Ele cobrou medidas efetivas para garantir a segurança de ciclistas que, como o pai, usam a bicicleta como meio de transporte. “Meu pai não usava as roupas caras e a bicicleta dele não era das mais modernas, mas ele gostava de andar de bicicleta e fazia com cuidado”, contou.

A integrante do coletivo, Alessandra Ribeiro, disse que o número de ciclistas aumentou em Piracicaba com a pandemia do novo coronavírus e o coletivo se fortaleceu com isso. Segundo ela, desde o acidente que vitimou o estudante Nikolas Gomes Camilo, em 2014, na avenida Independência, a situação do ciclista em Piracicaba só piorou. O aumento de carros nas ruas e a apatia do Poder Público diante da instalação de ciclovias resultaram no quadro atual. Presentes em reuniões com a prefeitura, o coletivo leva as demandas dos ciclistas baseadas em dados e estudos, o que – segundo Alessandra – tem contribuído para o bom diálogo entre as partes.

O coletivo sugeriu uma pesquisa sobre o perfil do ciclista em Piracicaba e se dispôs a participar na abordagem dos usuários. O estudo, entre outros pontos, tem o objetivo de mapear os principais pontos usados pelos ciclistas na cidade. “Nãos somos engenheiros, nem técnicos, somos ciclistas e indicamos as necessidades”, afirmou. A prefeitura informou ontem que no Plano 100 dias (de governo) em abril deste ano, foi anunciada a construção de 40 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas nos próximos quatro anos vai ser iniciada agora em dezembro. Até o momento o município conta com apenas 6 quilômetros de vias dedicadas aos ciclistas, o que demonstra evidente atenção aos veículos motorizados.

Segundo Alessandra, a expectativa era de instalar dez quilômetros por ano de ciclovias, mas este ano, não houve avanços.
“A partir de agora, a mobilidade ativa, em que as bicicletas estão inseridas, passa a integrar as prioridades da pasta, em linha com o que estabelece o Plano Nacional de Mobilidade Urbana, o Plano Diretor e o Plano de Mobilidade de Piracicaba, assim como iniciativas como Rede Ruas Completas”, informou.

A Semuttran já abriu um processo licitatório, em andamento, para a contratação de empresas para a elaboração de estudos e projetos básicos e executivos relacionados à mobilidade urbana. Os serviços serão contratados, principalmente, para a elaboração de projetos de ciclovias em importantes avenidas da cidade, como àquelas que foram elencadas pelos participantes da Pesquisa CicloVidas, realizada no mês de maio deste ano pela Semuttran. A pasta providenciou a revitalização de algumas ciclovias e ciclofaixas, com a substituição e reparo da sinalização vertical da ciclovia da Av. Cruzeiro do Sul e a sinalização horizontal, com a colocação de tachões, das ciclofaixas sobre a ponte do Morato e Av. Sérgio Caldaro.

Beto Silva
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