Duo de violistas da Europa gravam obra de Mahle

Gravação teve o consentimento de Mahle aqui na cidade (Foto: Divulgação)

O francês Eric Rouget e o brasileiro Estevan Reis, respectivamente spalla das violas e violista assistente da Opera Orchestre Nationale de Montpellier, da França, aproveitaram a quarentena, enquanto os concertos públicos não podem acontecer, e criaram o Duo em Ré. Um dos esforços foi gravar duos de viola de Ernst Mahle (as ‘Huit Duos pour altos’ d’ Ernst Mahle), inclusive com a benção do próprio compositor que vive em Piracicaba. O resultado está no Youtube, na página da orquestra.

Estevan Reis, carioca ex-membro da Orquestra do Theatro municipal do Rio de Janeiro e da Petrobras Sinfônica, falou sobre a gravação direto da Espanha. Antes de fazer o projeto, pediu permissão de Mahle para gravar. “Ele e a Cidinha foram muitos legais comigo. Gostaram da proposta e logo enviei o vídeo a eles, assim que saiu. Adoraram!”, conta Reis. A gravação foi vista por muita gente, inclusive no Brasil, conta o músico. “Recebemos uma grande quantidade de mensagens, nos perguntando onde encontrar as partituras destes duos, e gente de todo o mundo”.

O tributo a Mahle pertence a uma série de concertos de câmara que os músicos da Nationale de Montpellier executam neste momento. “O Mahle é um grande compositor e o conheço há anos, achei que seria divertido fazer estes duos de viola, um repertório ainda pouco conhecido e esta obra é marcante. Para violino, por exemplo, tem os famosos duos da compositora húngara Béla Bartók, mas para viola não tem o equivalente a estes, mas vejo esta equivalência na obra de Mahle”, revela o brasileiro.

Cada duo de Mahle é escrito em um módulo, explica Reis. “Cada módulo é uma variação de escala, cada uma tem uma característica forte”. Uma brincadeira com os duos modais, completa. “O interessante é sentir a característica de se tocar. Sente o erudito e o popular, numa mesma música. Isso desenvolve uma atmosfera musical específica em cada duo. A brasilidade é algo muito admirada na Europa. É uma naturalidade brasileira que soa na música e te faz sentir-se confortável”.

Atualmente, Reis vive na França e tem um currículo admirável dentro da música erudita – tocou na orquestra do Palau des Lesarts (opéra de Valência, Espanha) e está na Nationale de Montpellier. “Em paralelo, acabo de gravar um CD de música de câmara de trios de Haydn, que será lançado com a Naxos Record com o meu grupo, Valencia Baryton Project, tocado com um baryton, um instrumento antigo esquecido”.

Erick Tedesco