Durante quarentena, Ceta improvisa o teatro em casa

Impossibilitada de realizar os encontros semanais na sala 2 do Teatro Municipal Dr. Losso Netto, a Ceta (Cia. Estável de Teatro Amador de Piracicaba), ligada à SemacTur (Secretaria Municipal da Ação Cultural e do Turismo) precisou pensar o fazer teatral longe dos palcos, isto é, a partir do confinamento dos atores. De casa, então, os 13 integrantes do grupo que é coordenado pelo experiente João Scarpa, apresentam esquetes que vão ao ar todas os dias, às 13h, no Instagram (@cia.ceta) e no Facebook (/Ceta Piracicaba).

O projeto, intitulado ‘Meu Teatro é Minha Casa’, segue até o próximo domingo (25). A ação, conta Scarpa, funciona como pré-produção para o novo espetáculo da Ceta, “Pequeno juízo da maldade imensa”. “Na quarentena, como não saímos, busquei alternativas recorrentes, como reuniões virtuais. Desta forma, com estes materiais diários, focamos no que é possível fazer sem ser presencial, como pesquisa teórica. Só a montagem ou criação de personagens que dependente mesmo do fim da quarentena”.

O diretor da Ceta ressalta que, neste processo, o elenco é livre para executar tudo aquilo que produzem. “É tudo bem autoral. É como eles imaginam a cena, com a trilha que entendem ser a melhor para o ato. Apenas Orientei o elenco a fazer pequenos vídeos para exercitar o lado criativo do ator, a partir de textos e cenas de teatro, filme, poema, e isso dentro de casa. É para exercitar a criatividade”, ele explica sobre a dinâmica.

O teatro dentro de casa fez com que muitos deles tivessem contato pela primeira vez com ferramentas tecnológicas viáveis ao teatro, como câmera e programas de edição. “Além disso, esta atividade é uma forma de proporcionar ao público o acesso a algo produtivo da Ceta durante este período sem apresentações nos palcos”, completa Scarpa.

Apesar de inicialmente serem apenas 13 episódios, Scarpa revela que o elenco já manifestou interesse em prosseguir criando conteúdo. “No momento, nossa preocupação é a criação da cena, o exercício da atuação. Até por isso, pode-se notar, algumas interpretações são exageradas, porque é uma espécie de teatro filmado, não tem o sentido de ser um material audiovisual, apesar do produtor ser”.

Para o diretor, este é, no entanto, um importante momento para que os integrantes da Ceta se descubram como atores, “ver como devem se comportar de frente para uma câmara e, consequentemente, em um palco, diante do público”. Muitos são iniciantes, mas alguns já participaram das filmagens do curta-metragem produzido por Scarpa, “7º Dia”. “Se tudo ocorrer bem, dependendo de como vamos combater o vírus, deve ser lançado ainda esse ano”.

Além deste compromisso com a Ceta, Scarpa se prepara para a apresentação online de “Francisco!”, no dia 4 de julho, no Ponto Cultura Arte Garapa. Todos os ingressos já foram vendidos e a verba arrecada será destinada a atores e músicos da cidade que passam por dificuldades financeiras devido à crise da pandemia.

Erick Tedesco

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