Abuso sexual contra criança é grave problema de saúde pública

Para denunciar, disque 100. A notificação é anônima. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Mudanças no comportamento de crianças e adolescentes são um dos principais indícios de abuso sexual, conforme explicam as psicólogas. E o diálogo, a confiança no que eles têm a dizer e, principalmente, a denúncia mesmo da suspeita dessa violência são meios para proteger e garantir bem-estar e segurança àqueles responsáveis pelo futuro da humanidade.


Para incentivar a denúncia de abuso e violência sexual, a Semads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social) realizou campanha em maio. Der acordo com a pasta, não houve aumento significativo das notificações, porém isso não significa que as violações de direito não estejam ocorrendo. A média, de cinco a seis denúncias de maio foi semelhante à dos meses de janeiro, fevereiro e março. Em abril “tinha caído um pouco”, afirmou a assessoria.

Segundo as psicólogas Eliana Zanatta e Natália Guimaro Srair, 70% da violência e abuso sexual de crianças e adolescentes ocorre em casa e o agressor normalmente é uma pessoa próxima, como membro ou amigo familiar.

A recusa de passeios, brincadeiras e até a perda de apetite podem estar entre os sinais de abuso. “Normalmente eles ficam mais quietos, vão perdendo aquela vivacidade que normalmente têm, quando o agressor chega, […] essa pessoa se aproxima, a criança ou adolescente fica mais retraída. Se ela tinha muito contato com aquela pessoa, ela já não vai querer”, Eliana explica as mudanças de comportamento.

Natália, que atua no Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), lembra ainda que a mudança comportamental pode ser repentina, afetar o sono, a concentração e a memória, além de gerar isolamento e queda no rendimento escolar.

A denúncia, segundo Natália, deve ser encarada como um dever da sociedade, uma vez que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) diz que é de responsabilidade de todos cuidar da infância e da adolescência.

Além do disque 100, as denúncias podem ser feitas no Conselho Tutelar, presencialmente, por telefone ou e-mail. Os telefones são (19) 3422.9026, (19) 3432.5775, (19) 3421.8962 e (19) 3413.5497. Os e-mail são [email protected] e [email protected] As unidades do Conselho Tutelar ficam na rua José Ferraz de Carvalho, 320, centro e avenida Barão de Serra Negra, 545, Vila Rezende.

Natália lembra que a Semads tem parceira com o Serviço de Acolhimento para proteger não apenas as crianças e adolescentes, mas também a mãe ou a pessoa do âmbito familiar que denunciar e precisar da proteção enquanto o agressor responda na justiça pelos atos.

Além de perceber as mudanças de comportamento e denunciar, Eliana enfatiza a necessidade do permanente diálogo no meio familiar, de acreditar na palavra da criança e orientá-la sobre o que podem ou não fazer com o seu corpo. “Distinguir para a criança que ela pode brincar de faz de conta, mas que é sempre de roupa, não existe brincadeira de tirar as roupas, não existem brincadeiras de tocar o corpo, principalmente nas partes íntimas”, explica.

Natália também enfatiza a necessidade do apoio psicológico das vítimas e de suas famílias. A partir da fala no tempo adequado, inicia-se a “possibilidade de minimizar essa situação e marca que vai deixar nessa criança. Mas essa marca pode não sangrar para sempre”, comenta.

Andressa Mota

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