“E isso é Bossa Nova…”

Neste 25 de janeiro, Tom Jobim faria 95 anos. Coincidentemente, é quando também se comemora o Dia Nacional da Bossa Nova, instituído pela lei 11.926 de 2009, para homenagear um dos mais significativos movimentos culturais do país.

O termo bossa aparece na canção de Noel Rosa, Coisas Nossas, nos anos de 1930. A letra diz: “O samba, a prontidão e outras bossas, são coisas nossas”, gíria que sintetiza um “jeito de fazer as coisas”. Quase 30 anos depois, foi usado para definir um novo jeito de compor e cantar: a Bossa Nova.

No final da década de 1950, os jovens da Zona Sul do Rio de Janeiro, insatisfeitos com a música que ouviam, passaram a reunir-se nos apartamentos, como o de Nara Leão, em Copacabana, em bares e boates para ouvir e fazer música.

Dessas reuniões nascia um ritmo marcante que ganharia o Brasil e o mundo. Com balanço peculiar, a Bossa Nova se inspirava no jazz americano e era fortemente influenciada pelo nosso samba. Trazia, além das vozes suaves e discretas como a de João Gilberto, criações melódicas mais difíceis de serem cantadas, com uma harmonia própria, uma “batida diferente”.
A canção Chega de Saudade é considerada marco do lançamento do gênero. Composta por Tom Jobim e Vinícius de Moraes em 1956, teve sua primeira gravação em 1958, com Elizeth Cardoso.

Mas, é em março de 1959 que acontece a grande reviravolta. João Gilberto, cantor, violonista e compositor grava a mesma música, com seu inconfundível jeito de cantar. Também chamam a atenção a batida e a harmonia do seu violão. Eram os famosos acordes dissonantes.
E a Bossa Nova foi escolhida pelos jovens da classe média carioca, recebendo forte adesão do público universitário. Dos apartamentos chegou ao Clube Universitário Hebraico, com a primeira apresentação onde se destacavam Sylvinha Telles e Johnny Alf com seu Rapaz de Bem. Os anúncios do show, apresentavam “um grupo de bossa nova”.

A Faculdade de Arquitetura da UFRJ seguiu pelo mesmo caminho, com a presença de João e Astrud Gilberto, Nara Leão, Tom e Vinícius. A Bossa Nova foi ocupando espaços, particularmente no Beco das Garrafas, reduto de artistas e intelectuais da noite carioca.
Mais que um estilo musical, o movimento formou uma constelação de compositores, letristas, instrumentistas e cantores. Nessa esteira vieram, entre tantos, Billy Blanco, Carlinhos Lyra, Roberto Menescal, Sérgio Ricardo, Luiz Carlos Vinhas, Ronaldo Bôscoli, Baden Powell, Sérgio Mendes, César Camargo Mariano, Miúcha, Elis Regina, Maysa, MPB4, Quarteto em Cy e Os Cariocas.

Rompendo fronteiras, a Bossa Nova vai influenciar o jazz americano. Em 1962, o saxofonista Stan Getz e o guitarrista Charlie Byrd lançam o LP Jazz Samba. No mesmo ano, Tom e João apresentam um concerto no Carnegie Hall de Nova York. Em 1965, um trabalho da parceria Getz e João venceu o Grammy como álbum do ano. Dois anos depois, The girl from Ipanema ganhou o mundo na voz de Frank Sinatra.

Esse movimento que provocou a reinvenção da música brasileira, durou, oficialmente, 10 anos. Digo oficialmente porque em sua riqueza, foi decisivo no surgimento do que passamos a conhecer como MPB e continua espalhando seus acordes e harmonias nas criações dos bons músicos até hoje. Viva a Bossa Nova!

LEIA MAIS

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, entre com seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

10 − 5 =