É preciso combater o abuso e a exploração sexual (4/4)

Por Luiz Xavier

Esta tarefa deve começar bem cedo, já com os bebês, aos quais devemos anunciar e pedir licença no momento de limpeza de seus genitais e bumbum, como forma ir ensinando que tais contatos têm por finalidade a higienização (pelo menos até a entrada na adolescência). Por volta dos 2-3 anos, quando a criança começa a perceber as diferenças sexuais e querer tocar no corpo do outro, é fundamental reafirmar que seu corpo é só seu, bem como o do outro é somente do outro, nomeando quais situações ele pode ser tocado por outra pessoa – higiene e exame médico (na presença de um adulto responsável). Nesta idade, é possível anunciar que quando ela for maior e conseguir se limpar ou banhar sozinha, já não será mais necessário que tais e tais pessoas (nome de quem exerce esta tarefa) a ajudem. Assim, a criança vai entendendo que num momento de sua vida somente ela estará autorizada a tocá-la intimamente.
A conversa sobre as partes íntimas (é importante que elas sejam nomeadas com o mesmo vocabulário usado pela criança) deve acontecer nos momentos em que o corpo está em questão para que não se transforme num discurso de permissões e proibições, que coloca medo, assusta e inibe o contato saudável e necessário com as pessoas de seu convívio familiar e social.
Da mesma maneira que falamos sobre quais partes do corpo não podem ser tocadas por outras pessoas (e não apenas estranhos!), é importante ressaltar que se alguém tocá-la ou tentar tocá-la é preciso que a criança saia de perto, grite, peça ajuda e conte para um adulto, de preferência os pais/responsáveis, mesmo que ela tenha medo, dúvida ou tenha sido solicitada a manter-se em silêncio. Vale lembrar nesta e em outras oportunidades que existem sim ‘pessoas más’ – que roubam criança, matam, gostam de brincar com as partes íntimas das crianças ou pedir para que a criança brinque com as dela. Se esta informação vem na forma de conversa, diálogo, ela funciona como alerta e não alarme.
É bastante comum a criança perguntar se pode brincar com o corpo do amigo. Por mais que exista exploração entre as crianças (e entre as da mesma idade esta investigação é esperada), é importante frisar que não brincamos com genital, ânus, nádega, mama e boca de outras pessoas, assim como não podemos permitir que elas brinquem com estas partes de nosso corpo. O limite eu-outro precisa estar bem claro para que a criança possa se defender das situações mais comuns de abuso: as que vão acontecendo ‘como quem não quer nada’ e se intensificam em número de ocorrências e grau de contato íntimo.
Proteger a criança contra o abuso sexual é dar-lhe condições de reconhecer e dizer até onde o outro pode estar em contato com seu corpo. Há crianças que não gostam de receber beijos, abraços, apertinhos. Isto precisa ser respeitado. Há crianças que têm autonomia suficiente para cuidar do seu próprio corpo. Isto precisa ser respeitado. Há crianças que dormem muito bem sozinhas. Isto precisa ser respeitado. Há crianças que adoram se esparramar no sofá sem ninguém ‘grudando’ nela. Estas e muitas outras situações semelhantes precisam ser respeitadas.
Quando o respeito pelo corpo da criança acontece dentro da própria casa, a criança terá mais condições de colocar uma barreira entre seu corpo e o corpo do outro. A prevenção do abuso começa em casa, com atitudes simples, que, sem sombra de dúvida, terão muito mais efeito do que qualquer material que a ensine como se proteger”.

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