É preciso cuidar da saúde mental durante a quarentena, diz psicóloga

Eliane Soares disse que voluntários do CVV com mais de 60 anos estão afastados (Foto: Claudinho Coradini/JP)

O isolamento social e as preocupações devido à pandemia do novo coronavírus são vividos de maneira singular a cada pessoa. Mas o medo e o sentimento de impotência podem visitar os pensamentos e causar momentos de angústia. Nesse cenário é preciso lembrar de pedir ajuda, reconectar laços e usar as redes sociais para matar a saudade.

Sentir-se desta forma é normal, como explica a psicóloga clínica Eliana Zanatta, pois somos sores sociáveis e de liberdade e o momento atual é diferente do que qualquer um já viveu. Mas é preciso cuidar da saúde mental e cultivar a esperança que essa situação vai passar ao cada um fazer a sua parte para que o bem-estar seja pleno.




O CVV (Centro de Valorização da Vida) em Piracicaba continua a realizar atendimentos pelo telefone 188, e-mail e chat pelo site cvv.org.br.

Conforme informou a porta-voz da instituição, Eliane Soares, os voluntários com mais de 60 anos estão afastados para se preservarem. “Os demais estão se revezando no telefone, sempre mantendo os cuidados com higiene e prevenção. Como cada voluntários faz plantão de quatro horas e não há contato com ninguém, então entendemos que estamos seguros”, explica Eliane.

Como o número de voluntários atendendo diminuiu, Eliane conta que ainda não é possível expressar se a quantidade de chamadas aumentou devido ao isolamento, mas os voluntários perceberam que a quarentena já influencia nas razões dos telefonemas. “Percebemos que a temática na maioria das conversas é ligada ao medo, insegurança, solidão, depressão e crise de ansiedade devido ao confinamento”, conta a porta-voz.

Para superar os medos e manter a calma na quarentena é hora de exercitar a solitude, que a psicóloga Eliana explica que é o ato de estar consigo mesmo. O bom convívio em família também fará toda a diferença. “Nós vamos ficar 24 horas com os nossos familiares, então vai requerer de nós um pouco de paciência, um refinamento no contato”, lembra a psicóloga.

Para quem mora sozinho, Eliana pontua que é importante manter o contato com quem se ama. “Hoje a internet pode nos propiciar isso, então tentar mandar mensagem, mandar algum vídeo, conversar em vídeo com alguém, poder ver as pessoas que gosta, de alguma forma manter o contato com as pessoas”, diz.

Não consumir informações em excesso também é um meio de se cuidar. E prestar atenção para não cair em ‘fake news’. “As informações são muito úteis, mas vamos utilizar canal confiável e pensar sobre. As informações em excesso causam intoxicação. […] Vamos buscar o suficiente para ficarmos ligados e protegidos”, lembra Eliana. “E nesses tempos de isolamento social, com muitas pessoas trabalhando em casa, estudando em casa, estabelecer uma rotina traz tranquilidade. Vamos nos organizar fora e dentro”, finaliza.

Prezando pela saúde dos voluntários, o CVV também tem estudando ferramentas para que os voluntários consigam atender as chamadas de casa.

Andressa Mota