EAD tem levado mães de alunos da rede particular à exaustão

Paula Moraes não parou de trabalhar e ainda precisa acompanhar as aulas ao vivo (Foto: Amanda Vieira/JP)

Se na rede municipal pode chegar a faltar atividades para as crianças, na rede particular o excesso de afazeres em algumas escolas tem desafiado as mães principalmente a darem conta do trabalho, da casa e das orientações do ensino dos filhos. Além da sobrecarga, relatam preocupação quanto ao rendimento das crianças.

A médica Paula Moraes é mãe de duas meninas, de 12 e 9 anos, e de um menino de 6 anos, e não parou de trabalhar fora, mas precisa acompanhar as aulas ao vivo dos mais novos durante o dia. “Uma criança de 9 anos precisa de supervisão. A professora passa lição […] não consegue acompanhar, copia tudo do vídeo, não entende a matéria. Mesmo as aulas sendo muito boas, ainda é muito difícil”, comenta.

Paula lembra que não tem um computador para cada filho e que a internet está sobrecarregada pelo aumento de acessos. “Ainda que as escolas tentem dar um suporte, é difícil. […] Tenho acesso a essas atividades, mas não consigo usufruir”, conta.

Com a quarentena e a necessidade de acompanhar as aulas do filho de 9 anos e cuidar do bebê de 10 meses da cunhada, que precisa trabalhar fora, Vanessa Quartarolo teve que diminuir o ritmo da loja virtual que está montando. Conta que a rotina tem sido estressante. “Todo dia on-line, ele não quer mais fazer aula. Ele não está entendendo muito principalmente em matemática e português, porque passa muito rápido, meia hora não dá para fazer nada”, preocupa-se.

Trabalhando de casa, para conseguir atender todas as demandas que vieram com a quarentena, a corretora de seguros Melissa Camuzzi aposta na organização dos horários dela e dos filhos (uma de 6 e um de 10 anos) para não ficar sem a renda das comissões. Mas não tem sido fácil. “É bem complicado por não ser um pedagogo, fica mais difícil para a gente passar [lição] como seria com os professores”, comenta. “Você percebe que as crianças estão mais estressadas, com energia à flor da pele”, lembra.

A coordenadora de marketing Vivian Palmieri é mãe de uma menina de 9 anos e conseguiu se adaptar com o marido – ambos trabalhando de casa – para dar assistência às aulas quando preciso. Mas preocupa-se com eventual defasagem de ensino. “Acho que o conteúdo que ela tem não é o suficiente, só tem três horas de aula. O conteúdo acaba sendo reduzido e prejudicado”, avalia, lembrando que a falta de interação com os amigos também pode tirar a motivação da criança para estudar.

RETOMADA DAS AULAS
De acordo com o Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo), o setor reivindica a retomada das aulas o quanto antes e, para segurança, orienta as escolas por meio de protocolo de higiene e saúde. O documento aborda sobre necessidade de disponibilizar água, sabão e álcool em gel em diversos lugares, além de manter os locais arejados e evitar ar-condicionado. Aferição da temperatura troca de sapatos ao chegar e higienização das mochilas também estão entre as medidas.

A SME (Secretaria Municipal de Saúde) divulgou nesta semana cronograma para a retomada gradativa das aulas, prevista para 8 de setembro – desde que a região esteja, até 4 de setembro, há 28 dias na fase amarela do Plano São Paulo. Em julho serão desenvolvidos os protocolos sanitários e pedagógicos. E até 26 de agosto as escolas deverão encaminhar planos de ação à SME.

A secretaria informou que vai disponibilizar para todas as escolas termômetros e tapetes sanitizantes. Segundo a pasta, também são adquiridos álcool em gel, máscaras e fitas adesivas para sinalizar a distância entre as pessoas nas escolas.

Andressa Mota