Museu Prudente, que conta história da República, está fechado | Foto: Claudinho Coradini/JP

Domingo, 15 de novembro, dia de eleições municipais, é também uma data comemorativa ao Brasil: celebra-se a Proclamação da República, um momento ainda bastante controverso na historiografia nacional, desferido em 1889, mas cuja representatividade à nação é indiscutível: resultou na derrubada da monarquia e na instauração da república no Brasil.

Na cidade, um pouco sobre o início do Brasil República pode ser conhecido no Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes. O ituano, que trabalhou e morou em Piracicaba, foi o terceiro presidente do país, mas o primeiro civil a assumir o cargo e o primeiro presidente por eleição direta. O espaço cultural ainda está fechado ao público, devido à pandemia da covid-19.

Mas vale a reflexão sobre a data, afirma Frederico Gustavo Quibao, professor de História na rede estadual de Piracicaba. Ele alça uma frase do escritor norte-americano Mark Twain sobre o processo histórico que culminou, em 1889, na República. “’A história nunca se repete, mas rima’. Twain, conhecido principalmente pelos livros infantis As Aventuras de Tom Sawyer (1876), acreditava que nenhuma ocorrência histórica era solitária, mas uma eterna repetição de algo que já aconteceu antes”.

A ideia é sugestiva para uma sucinta análise neste 15 de novembro sobre a República no Brasil: uma estrutura política de Estado que custa a romper totalmente com círculos viciosos de desigualdades e mazelas enraizadas no Brasil colônia.

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Além disso, destaca Quibao, passados mais de 130 anos de sua proclamação, a República no Brasil custa a ser respeitada como uma forma de governo em que o Estado se constitui de modo a atender o interesse geral dos cidadãos. “A lista de interesses da população negligenciados desde 1889, ou melhor, desde 1500, é imensa, sabe-se muito bem”, pondera o historiador.

Não à toa, lembra, a pintura que simboliza a Proclamação da República, um óleo sobre tela de Benedito Calixto, de 1983, repete o mesmo erro do quadro ‘oficial’ do 7 de Setembro, intitulado Independência ou Morte (Pedro Américo, de 1895). “Condiz muito com os tempos atuais do Brasil: uma imagem idealizada, povoada apenas pelas instituições dominantes e elites, no caso específico da pintura do 15 de novembro, sem qualquer rastro da população”.

Erick Tedesco

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