Em 1 ano, ligações ao CVV quase duplicaram em Piracicaba

Foto: Alessandro Maschio/JP

Em 2020 foram em média 2.000 ligações mensais e neste ano o numero saltou para 3.400 telefonemas

No mundo, a cada 40 segundos, uma pessoa tira a própria vida. Hoje (10), o Dia Mundial para a Prevenção do Suicídio, serve de alerta para que esse assunto deixe de ser tabu e passe a ser explorado e divulgado com maior periodicidade, tendo como principal objetivo, salvar a vida de quem está com pensamentos suicidas. O alerta é da OMS (Organização Mundial da Saúde), que afirma ser possível evitar o suicídio. Segundo o órgão, a cada ano, são aproximadamente 800 mil pessoas que tiram a própria vida, sendo a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, todos os anos são 13 mil mortes dessa natureza. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

Em Piracicaba, o CVV (Centro de Valorização da Vida) registrou um aumento considerável de ligações com relação ao ano passado. Segundo a porta-voz do centro, Eliane Soares, em 2020 foram em média 2.000 ligações mensais e neste ano saltou para 3.400. Questionada se a pandemia do novo coronavírus tem influência nesse aumento, Eliane disse que não há como afirmar, mas revela que o principal assunto abordado nas conversas é como a Pandemia afetou a pessoa, nos mais diversos aspectos, como solidão, perda de alguém para a doença e não poder ter ido ao velório, medo de ficar doente, perda emprego por causa da pandemia, sequelas que a da doença, e dificuldade para retomar a rotina.

De acordo com o médico psiquiatra do Sesmt (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) da Santa Casa de Piracicaba, Arthur Silva Mattos Cardoso, cuidar e ficar alerta à saúde mental é extremamente importante e o assunto tem ganhado mais atenção desde o início da pandemia, do distanciamento social e das pessoas deixarem de se socializar para não haver a proliferação do novo coronavírus.

No entanto, há ainda muita vergonha em pedir ajuda por parte das pessoas que passam por algum transtorno ou desequilíbrio mental. O fim do preconceito com doenças mentais, como ansiedade e depressão, é fundamental para a prevenção ao suicídio, aponta Cardoso. “O preconceito faz as pessoas não buscarem ajuda. Muitas vezes elas escondem a doença porque o amigo ou familiar vai interpretá-las como uma pessoa que é fraca, que deveria reagir, quando, na verdade, ela está adoecida”, afirmou.

O suicídio pode ser prevenido, e é possível que família, amigos e professores percebam que algo não está bem. Um dos sinais de alerta, segundo o Ministério da Saúde, está na alteração de comportamentos, entre eles, o isolamento, desinteresse pelas atividades que gostava, irritabilidade, falta de autocuidado, músicas e publicações mais tristes nas redes sociais e até discursos de que “a vida está mais difícil”.

Beto Silva
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