Em 2021, Piracicaba teve 162 denúncias de violência contra as mulheres

Foto: Divulgação

A violência contra as mulheres está cada vez mais presente a cada dia que passa e acontece não somente em Piracicaba, mas em todo lugar. Essa violência é amórfica e, independente da forma que assume (se psicológica ou física), deve ser combatida.

De acordo com o Ministério da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos, plataforma atinente ao Governo Federal, a cidade de Piracicaba (SP) teve, em todo o ano de 2021, 670 protocolos abertos de denúncia, 771 denúncias e 3.119 violações (entende-se por isso maus-tratos, exploração sexual, etc). Já quando o assunto é violência doméstica e familiar contra a mulher, são 159 protocolos, 162 denúncias e 746 violações.

É importante frisar que muitas mulheres ainda são reticentes quanto à denúncia que sofrem, pois, em grande parte dos casos, o agressor não se trata de uma figura desconhecida, mas de uma figura próxima à vítima, como irmão, namorado, marido. Para a psicóloga e psicanalista Luciana Ferracciú, muitos homens ainda têm dificuldade em reconhecer os limites de um abuso devido à construção social.

“A sociedade é permeada pelo machismo estrutural e tanto os homens quanto as mulheres crescem recebendo informações que distorcem valores de base”, explica Ferracciú ao JP. “Muitos comportamentos são construídos socialmente. Apesar do progresso que a sociedade vem fazendo, ela pode ainda ser considerada uma sociedade machista.”

Fora a dependência psicológica, Ferracciú lembra ainda que muitas mulheres possuem uma dependência financeira de seus parceiros. “Já tive várias pacientes mulheres que sabiam estar dentro de uma situação abusiva, e que ainda assim tinham dificuldade de se separar por questões estruturais.”

A violência contra as mulheres deve ser debatida. O feminicídio de Carolina Dini Jorge, ocorrido em Piracicaba no dia 24 de março, na porta da escola da filha, no bairro São Dimas, escancarou a fragilidade do assunto. A delegada da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Olívia dos Santos Fonseca, responsável por presidir o inquérito, relatou também em entrevista ao JP que a polícia atua no sentido de repressão a esses crimes e que o país ainda muito tem a melhorar quando o assunto é políticas públicas. “Precisamos de governos e políticos que trabalhem em prol de uma agenda que combata a violência doméstica, mas não só uma agenda criminal, é necessário criar políticas públicas para abrigar a mulher vítima de violência. Precisamos que todos os órgãos trabalhem em prol de uma agenda que inclua políticas públicas, seja no orçamento anual do município ou no orçamento do Estado.”

Ferracciú vai além. “O acolhimento psicológico é extremamente importante, pois, no ato da violência, a mulher fica extremamente fragilizada e vulnerável. Violência não é só física, ela também se manifesta de forma psicológica e até patrimonial. O acolhimento para mulheres em situação de vulnerabilidade eleva a auto-estima delas e pode ser feito de forma individual com a ajuda de um psicólogo qualificado ou assistente-social.”

O profissional que atua com psicologia possui formação técnica que, por meio do trabalho terapêutico, procura aliviar o stress pós-trauma. Ferracciú alerta que a psicologia é uma ciência e que o profissional possui as ferramentas e técnicas adequadas para ajudar a mulher a resgatar sua essência, tal como ela era a priori dos abusos.

“Nós avançamos na questão das políticas públicas, temos, sim, mais mulheres dentro da política lutando por condições melhores, mas precisamos nos lembrar que estamos engatinhando nessa luta e que ainda há muito a ser melhorado, principalmente na questão de amparo do Estado”, finaliza.

Rafael Fioravanti | [email protected]

LEIA MAIS

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, entre com seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

19 − cinco =