Em 24 horas, Piracicaba registra 76 diagnósticos positivos de covid-19

Nas últimas 24 horas, a cidade registrou mais de três positivados por hora, com idades que variam de 3 a 70 anos (Foto: Amanda Vieira/JP)

Piracicaba atingiu um novo recorde, nesta segunda-feira, com relação ao número de casos de covid-19. De acordo com os dados fornecidos pela prefeitura, foram 76 novos diagnósticos nas últimas 24 horas, mais de três casos por hora. No final de semana, o número de mortes na cidade subiu para 29.

As idades dos mais de 70 infectados variam de três a 67. O coordenador da Vigilância Epidemiológica, Moisés Taglieta, explicou que o contágio é mais ou menos regular entre as faixas etárias. A diferença, segundo ele, é que entre idosos e pessoas com outras comorbidades, o grau de gravidade é maior. “A diferença está na evolução do caso e não na infecção”, apontou.

“Esse fenômeno está mais relacionado com a flexibilização dos critérios de testagem”, acrescentou.

No comunicado divulgado ontem, a Secretaria de Saúde do município contabiliza 640 casos confirmados, 230 suspeitos, 363 pacientes recuperados e outros 248 em tratamento, além de 1.536 casos suspeitos descartados.

Já o Estado de São Paulo registrou ontem 7.667 óbitos e 111.296 casos confirmados pelo novo coronavírus. Entre as pessoas diagnosticadas com a covid-19, 21.476 foram internadas, curadas e tiveram alta hospitalar. 

Das 645 cidades paulistas, houve pelo menos uma pessoa infectada em 526 municípios, sendo 267 com um ou mais óbitos.

As taxas de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) mantêm-se estáveis, com 83,2% na Grande São Paulo e 69,3% no Estado. O número de pacientes internados é de 12.920, sendo 7.777 em enfermaria e 4.681 em unidades de terapia intensiva.

Entre as vítimas fatais estão 4.451 homens e 3.216 mulheres.  Os óbitos continuam concentrados em pacientes com 60 anos ou mais, totalizando 72,8% das mortes. 

VACINAÇÃO PRORROGADA
Ao contrário do que ocorreu com a população de idosos, quando a procura pela vacina da gripe foi intensa nas primeiras semanas, na terceira fase da Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, o cenário é totalmente diferente.

O Setor de Imunização da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do município registrou baixa procura de adultos (55 a 59 anos), crianças de seis meses a menores de seis anos de idade e gestantes, incluídos na ação em 11 de maio.

Desde o dia 23 de março, quando começou a campanha, Piracicaba vacinou 101.852 pessoas.

Por conta da baixa procura, o Ministério da Saúde prorrogou a campanha até 30 de junho em praticamente todo o país. Em princípio, terminaria na próxima sexta-feira. Todos os postos de saúde do município seguem atendendo a população em horários habituais (CRABs e UBSs, das 8 horas às 15 horas, e USFs, das 8 horas às 16 horas).

Para evitar aglomerações, os profissionais das unidades vão auxiliar na organização da fila para que as pessoas mantenham distância de aproximadamente um metro uma das outras.

A exemplo das demais fases, a meta do Governo do Estado é vacinar pelo menos 90% de cada um desses grupos, sendo que a população de adultos de 55 a 59 anos no município é de 17.076, crianças de seis meses a menores de seis anos de idade – 22.929; gestantes – 3.394 mil; e puérperas – 558.

BALANÇO
De acordo com a Secretaria de Saúde, a cobertura dos grupos prioritários em Piracicaba até o momento imunizou crianças (seis meses a menores de seis anos): 38,13%, gestantes: 39,54%, puérperas: 47,90%, adultos de 55 a 59 anos: 22,57%, idosos: 114,33% (meta atingida), trabalhadores da saúde: 99,21% (meta atingida).

PERFIL DOS ÓBITOS
De acordo com as informações do Estado, a mortalidade por covid-19 tornou-se maior entre pessoas com idades entre 70 e 79 anos (1.799), passando para a segunda posição a faixa de 60 a 69 anos (1.771) e 80 e 89 anos (1.497).

Entre as demais faixas estão os: menores de 10 anos (13), 10 a 19 anos (22), 20 a 29 anos (63), 30 a 39 anos (298), 40 a 40 anos (572), 50 a 59 anos (1.110) e maiores de 90 anos (522).

Os principais fatores de risco associados à mortalidade são cardiopatia (58,6% dos óbitos), diabetes mellitus (43%), doenças neurológica (11,2%) doença renal (10,5%), pneumopatia (9,4%). Outros fatores identificados são imunodepressão, asma, doenças hematológica e hepática. Esses fatores de risco foram identificados em 6.184 pessoas que faleceram por COVID-19 (80,7%).

ROBOVID
O Grupo de Pesquisa e Estudos sobre Vivência e Integralidade Dedicadas à Enfermagem, Criança, Infância, Adolescentes e Recém-nascidos (Evidenciar), vinculado ao curso de graduação em enfermagem do Polo da Universidade Federal Fluminense de Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, desenvolveu um canal de comunicação digital batizado Robovid-19, cujo objetivo é tirar dúvidas da população sobre o novo coronavírus.

Segundo informações da professora Aline Cerqueira Santos Santana da Silva, coordenadora do trabalho, à Agência Brasil, a ferramenta possibilita que as pessoas tenham acesso a informações confiáveis sobre a pandemia da covid-19. Para responder as dúvidas da população, foi feito um levantamento em bases de dados existentes sobre a doença, além de acompanhar a liberação de documentos, diretrizes e normas liberadas tanto em âmbito internacional, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como interno, pelo Ministério da Saúde. O grupo acompanhou também páginas do ministério e da Organização Pan-Americana da Saúde, que são atualizadas diariamente, com dúvidas vinculadas à pandemia, além de números sobre casos confirmados e óbitos.

Beto Silva