Em 4 meses foram mais de 300 mil vidas perdidas no mundo

É preciso falar sobre o assunto e procurar ajuda (Foto: Amanda Vieira/JP)

“Não sofra sozinho, compartilhe a sua dor, busque ajuda de amigos, de apoios psicológicos”, essa é a mensagem da porta-voz do CVV (Centro de Valorização da Vida) Piracicaba, Eliane Soares. O distanciamento social pela pandemia da covid-19 trouxe muitos efeitos colaterais e um deles é o agravamento da saúde mental dos indivíduos. Desemprego e dificuldades financeiras, isolamento pela infecção, distância de quem se ama, incertezas e o medo da morte são alguns fatores que desafiam também o psicológico. Cuidar da própria mente e do próximo também é uma forma de salvar vidas.

De acordo com o site Global Deaths Due to Various Causes and Covid-19, o suicídio estava na terceira posição das principais causas de morte no mundo em 21 de julho, ficando atrás apenas da covid-19 (primeira posição) e HIV/Aids (segunda posição). No período de 1 de março de 2020 a 21 de julho de 2020, foram perdidas 318.932 vidas pelo suicídio no planeta, de acordo com o site citado.

É necessário falar sobre o assunto para saber quando e como buscar ajuda e também como ajudar. De acordo com a psiquiatra Ana Elisa Paisani, da Unimed, o comportamento suicida é entendido pela medicina como um pedido de ajuda, um alerta, em decorrência de complicações de transtornos psicológicos. “Em geral suicídio é resultado de uma combinação de fatores. As pessoas quando começam se isolar, antes estava nas conversas virtuais, agora não mais, isso é um sinal. Engorda muito ou emagrece muito. Está dormindo muito ou não dormindo nada, também é outro sinal. Começa a não ver mais prazer em cada, a arrumar as coisas, se despedir.”, a médica elenca situações que devem ser levadas em consideração. “Esses sinais podem aparecer em qualquer idade”.

A psicóloga do Ambulatório de Saúde Mental Vila Cristina, Ana Paula Camara, recomenda que, quando observados alguns sinais, é preciso buscar ajuda. “Que a pessoa busque identificar se nota sofrimento intenso; sintomas emocionais e físicos persistentes; comprometimento significativo social e cotidiano; dificuldades profundas na vida familiar, social ou no trabalho; aumento do consumo de álcool ou outras drogas. São comum alterações significativas no sono e apetite”, comenta.

Ana Paula lembra que, pelo momento difícil que a humanidade passa, “é esperado que estejamos com sentimentos e emoções confusas, estamos em estado de alerta, ter ciência que isso está dentro do esperado, nos ajuda a reorganizar nossas emoções e compreender nossas emoções que são reativas ao momento em que vivemos”. Para verificar se os sintomas psicológicos requerem atenção especial, os CAPs estão à disposição via telefone durante a pandemia.

Outra forma também de buscar ajuda é pelo 188 do CVV, disponível 24 horas. Os voluntários são treinados a escutar sem julgamentos ou conselhos para que a pessoa possa desabafar. A escuta é fundamental e pode ser aplicada no dia a dia com aqueles que amamos. O estar presente mesmo distante faz a diferença para que se compartilhe força para enfrentar esse momento. “Às vezes até mesmo procurar fazer algum trabalho manual, que isso ajuda a concentrar a mente, fazer alguma leitura de algum livro, se for possível, fazer uma caminhada em volta do quarteirão em horário que não tenha muitas pessoas, tomar um pouco de sol é bom. São pequenas atitudes que a gente pode ter no nosso dia a dia com alguém que pode fazer toda a diferença”, comenta Eliane.

Famílias em vulnerabilidade social também são atendidas pelo setor público por meio do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), recebem apoio psicológico e social e, se for necessário, são encaminhadas para o setor da Saúde Mental, de acordo com a psicóloga Thiesa Fracalossi Sebastianes, do Creas.

ONDE PROCURAR AJUDA
O setor de Saúde Mental da SMS (Secretaria Municipal de Saúde) disponibiliza canais para acolhimento, orientações e urgências em saúde mental em decorrência da pandemia. Informações gerais sobre a rede estão disponíveis em facebook.com/saudementalpiracicaba.

Os CAPs continuam com os atendimentos e ampliaram o acolhimento para o telefone e internet. O CAPs AD (Álcool em outras Drogas) atende pelos telefones: (19) 3411-6520, 3411-3881 e 3426-5044.

O Ambulatório de Saúde Mental Vila Cristina, pelos telefones: (19) 3402-3028, 3413-4285. CAPs Bela Vista: (19) 3432-9964, 3433-0312. Ambulatório de Saúde Mental Vila Sônia: (19) 3415-3343. O CAPs Infantojuvenil: (19) 3434-4732 e 3426-3808.

Todos os locais citados funcionam de segunda à sexta-feira, das 7h às 17h, e têm páginas no Facebook.

Andressa Mota