Em ano de crise, piracicabanos pagam R$ 518 mi em impostos

Valor representa 20,4% a mais do que em 2019, quando o total de tributos havia somado R$ 430 milhões. (Foto: Marco Casale)

A cidade de Piracicaba arrecadou R$ 518 milhões em impostos no ano passado, 20,4% a mais do que em 2019, quando o total de tributos havia somado R$ 430 milhões. O aumento vai na contramão do Brasil, que registrou um recuo de 17,9% na arrecadação.

Dados disponibilizados no site do Impostômetro, ferramenta criada pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo), apontam que os moradores de Piracicaba pagaram, em 2020, R$ 88 milhões a mais do que no ano anterior em tributos municipais, estaduais e federais. A conta considera um total de 25 impostos, entre eles o IPTU, IPVA, IOF e ICMS. No cenário nacional ocorreu o inverso. Houve uma queda de R$ 447 bilhões na arrecadação. De acordo com a ACSP, esse resultado foi provocado pela crise causada pela pandemia do novo coronavírus.

“O desempenho de Piracicaba pode estar ligado à manutenção ou até ao acréscimo do consumo em alguns setores, sustentado pelo auxílio emergencial e pela capacidade de adaptação rápida na rotina do setor comercial do município”, afirma a professora Fabíola Cristina Ribeiro de Oliveira, coordenadora dos cursos de Relações Internacionais e de Ciências Econômicas da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba).

Segundo a professora, estima-se que 70% da arrecadação de tributos é decorrente do consumo, estando associada, portanto, às operações comerciais e de prestação de serviços. “O pagamento de impostos em Piracicaba tinha sofrido impactos negativos durante as medidas de isolamento social mais restritivas, aplicadas nos meses de abril e maio, com o fechamento do comércio e a manutenção apenas das atividades essenciais. Naquele momento, havia indicativos de que grande parte das lojas não estava adaptada para o comércio eletrônico, mas foi se ajustando rapidamente, com reflexos positivos nos meses subsequentes”, explica.

Apesar de apontar o comércio e o setor de serviços como propulsores da economia, com reflexos na arrecadação, Fabíola destaca também a expansão do Parque Tecnológico de Piracicaba. “No ano passado, teve a instalação de cinco novas empresas (Ideealab, Sweet Science, Technologial Solutions Integrated, Terpenia e BR Flor/Genomaa), as quais passaram a integrar o ecossistema do Vale do Piracicaba, polo tecnológico que alavanca o setor de inovação do agronegócio brasileiro. Juntamente, previu-se um aporte inicial de investimentos em torno de R$ 20 milhões”, pontua.

Para o presidente em exercício da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Marcelo Cançado, o aumento registrado na arrecadação de tributos em Piracicaba é reflexo da atividade da indústria, uma vez que o comércio teve um ano com muitas restrições. “O varejo teve grandes dificuldades por conta do fechamento e horário reduzido por vários meses. E o momento foi de se reinventar. O e-commerce teve grande destaque, mas o impacto ainda é considerado menor e aquém da movimentação do comércio aberto”, afirma.

Ele ressalta que os setores de serviços e de agronegócios, apesar de conseguirem se manter, também sofreram com a pandemia. “Portanto, a indústria foi a que mais se destacou. Podemos citar a Caterpillar, além de outras, que voltaram a produzir e contratar, principalmente para exportar, o que também causa reflexo na arrecadação de impostos”, afirma.

Cançado acrescenta ainda que, embora com todas as dificuldades e limitações impostas pelo coronavírus, o piracicabano não deixou de consumir, o que é fundamental para o andamento da economia. “Quando a economia, mesmo que de forma mais tímida, se movimenta, não deixamos de produzir e arrecadar impostos”.

Na avaliação do economista e professor da Unimep, Bruno Pissinato, Piracicaba possui uma economia dinâmica e, de certo modo, constituída por toda uma cadeia que supre as necessidades não somente da população, mas também do setor produtivo, ou seja, de indústrias, centros de pesquisa e instituições de ensino. “O papel da cidade em termos de Brasil também se nota devido a todo o complexo agroindustrial envolvido. Ademais, a diversidade de setores produtivos, serviços e público promovem, a grosso modo, menor risco de variações negativas na arrecadação”, afirma.

Ele também destaca que, apesar de as maiores fontes de receitas ter registrado uma queda em torno de 3,7% entre 2019 e 2020, o que se percebe é que no ano passado novas fontes de recursos se somaram, com destaque para os volumes monetários destinados ao combate à Covid-19. “De modo geral, o município recebeu R$ 64 milhões para auxílio”, diz, ressaltando ainda que “as transferências de recursos emergenciais para a conjuntura da pandemia possivelmente têm um papel de manter um certo nível de atividade econômica via gastos do governo, o que retorna parcialmente via tributação”.

IPTU mais caro

O IPTU de Piracicaba para 2021 teve reajuste de 7,7%. As notificações do imposto começam a ser enviadas ainda neste mês via Correios. O tributo poderá ser pago em até dez parcelas ou à vista com 5% de desconto.

Quem deixar de pagar terá de fazer o acerto com multa de 2% até 30 dias após o vencimento, 5% a partir de 30 dias (até 180 dias) e 10% a partir de 180 dias de atraso, mais 1% ao mês de juros. Segundo a Prefeitura, 205.553 imóveis devem pagar o tributo, 3.147 a mais que em 2020.

Ana Carolina Leal
[email protected]

LEIA MAIS:

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite o seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

2 + dezesseis =