Comunidade escolar superou os desafios do ensino remoto e está pronta para o “novo normal”. (Foto: Amanda Vieira/JP)

A palavra de ordem para o ano letivo de 2020 é adaptação. Escolas, professores, alunos e pais passaram por transformações jamais experimentadas. Com isso, não faltaram incertezas sobre como seria possível a educação continuar com o distanciamento social. Para tornar tudo isso viável, foi papel das escolas e dos professores aprenderem novas formas de levar o conteúdo e, ao mesmo tempo, ensinar os estudantes e responsáveis do outro lado da tela.

A professora e coordenadora do Ensino Fundamental II do Colégio COC, Bruna Vieira, conta que a experiência foi desafiadora, mas com esperança. Foram necessárias adaptações desde o plano de ensino até a plataforma digital da escola, que foi desenvolvida uma nova em meio à pandemia.

Ao mesmo tempo, foi preciso, como conta a professora, confortar e passar confiança aos pais e alunos de que seria um momento passageiro. “Fomos muito mais do que professores neste momento, fomos mediadores da mudança repentina que o ensino passaria”, relata Bruna.

Mesmo com as aulas online o mais próximo da sala de aula possível, a coordenadora do Ensino Fundamental I do Colégio COC, Lygia Penteado Peres Lima, conta que a saudade dos alunos é imensa e que a expectativa para a retomada total é alta. Para isso, desde antes das flexibilizações, a escola começou a adaptar o espaço físico para receber os alunos com segurança.

“A escola foi toda repaginada com tapetes sanitizantes, totens de álcool em gel espalhados, foram instaladas novas pias e secadores de mãos nos corredores, protetores salivares para os professores e higienização das bolsas e lancheiras na entrada”, conta.

Como a capacidade permitida é de 35% dos alunos, as aulas ocorrem de forma “híbrida”. “A mesma aula do presencial é vista por quem está em casa, não deixando ninguém de participar e aprender”, relata a coordenadora.

Os desafios e transformações também são realidades de outros colégios da cidade. A mantenedora do Anglo, Adriana Borges Bistaco Cazelato, conta que na escola os estudantes seguiram o conteúdo programado já no começo do ano, mas oferecer o ensino totalmente remoto “foi o primeiro grande desafio”.

Seis meses depois, em setembro, com o planejamento cumprido à risca, as revisões foram possíveis de forma presencial, com distanciamento e seguindo todos os protocolos de segurança. E desde a segunda semana de outubro as aulas para parte dos estudantes também são presenciais.

A professora Ana Cristina Monteiro Campos, do Anglo, lembra que foi preciso adaptar o raciocínio do planejamento das aulas. “O maior desafio é planejar aulas para que os alunos se sintam motivados e interessados em assisti-las na tela do computador. […] Saber equilibrar o conteúdo das aulas para não sobrecarregar o aluno em casa foi primordial para evitar o estresse”, comenta.

Para o diretor do Colégio 15 de Novembro, Odair Geraldo Penha Moral, mesmo com a escola já envolvida no ambiente tecnológico foram necessárias reinvenções para continuar a construção do conhecimento junto aos alunos. “Nossas estratégias foram diversificadas e nossas mentes foram alargadas para aulas interativas, temáticas e trabalho com projetos interdisciplinares que ajudaram a reduzir o impacto do afastamento”, explica.

A diretora do Colégio Dom Bosco, Eliana Senicato, lembra como – para superar o desafio do ensino remoto – foi imprescindível a aproximação de duas áreas da escola: pedagógico e TI (Tecnologia da Informação). Capacitações, investimentos tecnológicos e acolhimento aos pais e alunos também foram essenciais. “[Essa] mudança exigiu ainda mais entendimento e cuidado com as relações interpessoais, além das relações profissionais”, comenta.

A escola encontrou seu caminho no digital e, por decisão conjunta às famílias dos alunos, não retoma as aulas presenciais neste ano. Enquete realizada pelo colégio mostrou que 70% não enviariam seus filhos na retomada.

Decisão semelhante tomou o Colégio 15 de Novembro, ouvindo também as famílias. Segundo Moral, 77% dos pais preferiram manter as aulas online até final de outubro. Nova consulta será realizada em novembro, mas a escola já está preparada para receber os alunos em eventual retomada presencial, seguindo os protocolos de segurança.

Andressa Mota
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