Empresário assumiu lugar do pai e impulsionou o agronegócio

Foto: Acervo Pessoal

Ao lado do irmão Rubens, construiu a Cosan, uma gigante no País do setor de energia e infraestrutura

O empresário piracicabano Celso Silveira Mello Filho, nasceu em 27 de janeiro de 1948. Filho do casal Isaltina Ometto e Celso Silveira Mello, Celsinho, como era chamado carinhosamente por familiares e amigos, era o mais velho dos quatro irmãos: Rubens Ometto Silveira Mello, Celisa Silveira Mello Fagundes e Mara Silveira Mello de Andrade Coutinho. A família morou na usina Costa Pinto até 1964, ano em que se mudou para a cidade. “A família nunca saiu de Piracicaba, o Celso, o Rubens e a Mara se mudaram para São Paulo na época da faculdade”, conta Celisa.

Ao falar do irmão, morto em um acidente aéreo há dez dias, Celisa se refere a ele como ‘sempre muito carinhoso’. Ela lembra que quando o pai faleceu, em 1970, Celso voltou da Capital, onde ainda estudava, e terminou a faculdade na Unimep.
“O Celsinho, como o chamávamos, passou a cuidar dos negócios depois disso e garantiu que nossa vida continuasse segura como sempre foi”, relata. “Ele sempre foi muito brincalhão e trabalhador”, acrescenta. Ao comentar a simplicidade do irmão, Celisa destaca que os melhores amigos dele eram pessoas que trabalhavam na usina.

O empresário jogava futebol e foi campeão de kart de rua e depois no autocross e sempre apoiou e incentivou os filhos a praticar esportes. Ele foi presidente do XV de Piracicaba de 1988 a 1992. “”Celso foi muito importante. Pegou o XV em uma época difícil administrativamente e juntamente com o prefeito Adilson Maluf conseguiram estruturar o clube financeiramente. Foi um exemplo de como o XV e Piracicaba podem e devem andar lado a lado”, destaca o presidente do XV de Piracicaba, Rodolfo Norivaldo Geraldi.

As mortes de Celso Silveira Mello Filho, da esposa Maria Luiza Meneghel e dos filhos Celso, Fernando e Camila foram noticiadas em todo o país. Considerado um dos expoentes do ramo agropecuário, ele era formado em economia pela universidade Mackenzie, em São Paulo, e iniciou a trajetória profissional ao lado do irmão Rubens, construindo uma das principais holdings do Brasil, a Cosan, gigante do setor de energia e infraestrutura. O trabalho começou na primeira usina da família, a unidade Costa Pinto, onde hoje é a sede da Raízen, joint-venture do Grupo Cosan com a Shell.

Para o presidente da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Marcelo Cançado, Celso Silveira Mello Filho foi um empresário nato, ‘um verdadeiro líder, que impulsionou o dinamismo do agronegócio não só na região, mas no Brasil’.
“Empreendendo, Celso levou o nome de Piracicaba para o país inteiro e também ao exterior, comandando importantes projetos agropecuários nos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Pará. Humilde, ele se preocupava com todos ao seu redor. Acreditava que a educação era a mola propulsora para uma sociedade melhor”, declara. E foi longe de sua Piracicaba que o empresário construiu, em 2004, a Faculdade de Ensino Superior da Amazônia, localizada em Redenção, no Pará.

O presidente do Simespi (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Eletrônico, Siderúrgicas e Fundições de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras), Euclides Baraldi Libardi, defende que Piracicaba se tornou um expoente do setor sucroalcooleiro graças à atuação desbravadora de duas empresas que se tornaram gigantes do setor: a Dedini, que produzia usinas e destilarias, e a Cosan, que se tornou a maior produtora de açúcar do planeta, conforme define o sindicalista.
“Celso Silveira Mello, que comandou o Grupo Cosan no passado e era seu acionista atualmente, tem grande participação na formação deste cenário. Foi um empresário arrojado, que contribuiu para que a empresa se tornasse a potência que é hoje. Sem dúvida alguma, sua figura carismática, de empresário corajoso e arrojado, inspirou e continuará inspirando a classe empresarial de um modo geral”, avalia.

E é o trabalho, o legado deixado pelo empresário, como define a irmã Celisa. “O principal legado foi o trabalho, era uma pessoa batalhadora que enfrentava qualquer coisa”, afirma.

Beto Silva
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