Enquanto afastado, gabinete de vereador Dirceu custou R$ 396 mil aos cofres públicos

Parte desse valor se refere a salários de assessores e o subsídio do parlamentar. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

A Câmara de vereadores de Piracicaba foi notificada ontem sobre a decisão da Justiça que determinou a suspensão do afastamento do vereador Dirceu Alves da Silva e o retorno dele às funções parlamentares. O vereador estava afastado desde março de 2019 depois que o juiz da Vara da fazenda, Wander Pereira Rossette Jr, acatou a ação de improbidade administrativa apresentada pelo Ministério Público.

O afastamento ocorreu, no entanto, sem prejuízo dos subsídios (R$ 10,900 mil) e os quatro assessores de Dirceu permaneceram no gabinete durante o ano e um mês que durou a suspensão.

De acordo com o portal da transparência da Câmara Municipal, nesse período em que se manteve afastado pela Justiça, o gabinete do vereador gerou um gasto de R$ 396,361 mil aos cofres públicos.

Grande parte desse valor se refere aos salários dos quatro assessores e o subsídio do parlamentar, que juntos somam R$ 32,917 mil mensais. Junto a essas despesas estão gastos com telefone que oscilaram entre R$ 25 a R$ 186 mensais no período.


Durante o afastamento, o chefe de gabinete e os assessores do vereador deram expediente nas dependências da Câmara.
A assessoria de imprensa do Poder Legislativo informou que o gabinete não usou veículos oficiais e os assessores ficaram proibidos de produzir proposituras como requerimentos e moções durante o afastamento do parlamentar.

RECURSO
O retorno de Dirceu Alves às funções de vereador foi possível após o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) acatar o recurso da defesa.
Os advogados defenderam que o afastamento do vereador só se justificaria até que as testemunhas do caso fossem ouvidas. As oitivas ocorreram em fevereiro, quando o TJ permitiu o retorno.


Na ação do Ministério Público o vereador é acusado de exigir parte do salário de uma ex-assessora e de extorquir um ex-assessor que não teria concordado em dar parte do salário ao parlamentar.

Em nota, o presidente da Casa, Gilmar Rotta (MDB), informou ontem que recebeu notificação oficial da Vara da Fazenda determinando o imediato retorno às atividades parlamentares do vereador. “Diante da notificação, informa o imediato cumprimento da determinação judicial”, informou.

Beto Silva

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