Inteligência canina é distinta do comportamento humano, diz especialista | Foto: Divulgação/Pixabay

O comportamento dos cães é um tema que ainda intriga e é constantemente revisado e atualizado em estudos específico. Mas são os tutores os primeiros a defender a grande capacidade de compreensão e até de comunicação dos cachorros, que dia a dia são surpreendidos com atitudes dos pets, que não raramente apontam que tais ações são semelhantes ou idênticas a de humanos.

Jônatas Neiro, zootecnista e especialista em educação comportamental canina, no entanto, aponta que é difícil mensurar a capacidade máxima do cão de interpretar comandos e gestos. Ele exemplifica com os cães que competem em modalidades de free style de adestramento, uma modalidade livre de truques e comandos, em que sabem mais de 100 comandos e entendem mais de 100 gestos diferentes. “Então, ainda não descobrimos qual a capacidade máxima, mas sabemos que é o necessário para que possamos nos comunicar bem com eles no dia a dia, eles têm uma capacidade muito grande de compreensão”.

Mas são capazes de construir uma linha de comunicação com o tutor, explica Neiro. “Não com o mesmo significado que nós, humanos, entendemos. Os cães ligam muito a palavra com uma consequência. Então é normal vermos um cão que entende o que significa a palavra ‘passear’, ‘vamos passear’, o cão sabe que aquela palavra significa o passeio, mas simplesmente por uma consequência que aconteceu, por aquela palavra ter sido dita e depois a consequência do passeio vir em seguida”, destaca o especialista.

Aliás, complementa, são até capazes de comunicar entre eles, muito mais por expressão corporal do que por som. Latidos, choro e rosnado é uma porcentagem muito pequena da comunicação que existe entre os cães, ressalta Neiro. “Comunicam por comportamento ou expressões corporais bem sutis, muitas vezes difíceis até para os especialistas conseguirem decifrar. Eles aprendem a como conseguir o que eles querem dos tutores através de tentativa e erro e, com isso, desenvolvem um padrão de comportamento para se comunicar com as pessoas”.

Outra percepção canina que reforça sua inteligência é a questão do tempo, apesar de ser uma noção diferente da que tem os humanos. “Conseguimos refletir muito em relação a isso: coisas do passado e coisas do futuro. O animal vai ter uma noção de tempo muito mais relacionado ao controle da impulsividade, da ansiedade dele perante situações específicas, em que ele tem de esperar por alguma coisa acontecer”.

Portanto, a noção de tempo para o cão é pontual – o aqui e agora, como reforça o especialista. “’Isto

está acontecendo, estou tendo de esperar para ganhar um petisco’. Então, é tudo muito pontual, nada relacionado ao que ficou no passado e nem preocupações que estão no futuro”.

Sobre empatia canina, o especialista pondera que é um assunto que divide opinião. “Não é porque você vai ser bonzinho com o cão, que o cão vai ser bonzinho e legal com você. Inclusive isso é uma porta de entrada muito grande para muitos problemas de comportamento, em que as pessoas acabam cedendo tudo muito de graça para o cão: carinho e atenção sem nenhum tipo de regra ou limite, e esse cão não será recíproco”.

Como explica Neiro, neste sentido os cães entendem que são mais fortes do que aquela pessoa e em muitas situações em que são contrariados ou frustrados por alguma razão, eles direcionam facilmente para comportamentos de agressividade. “Então, não existe gratidão entre os cães. Isso é um sentimento humano e as pessoas acabam fazendo isso facilmente com os cães devido à humanização que acontece, uma visão muito cinematográfica do cão, onde o cão é um ‘ser humaninho’ e ele vai ser grato.”

Sobre o ranking de raças, o especialista diz que não leva em consideração. “Claro que existe um padrão, se for comparar um Border Collie, que é uma raça extremamente inteligente, você sabe que a probabilidade daquele cão pegar mais rápido comandos de obediência e entender muito rápido o que está sendo solicitado é uma chance muito alta, mas a gente consegue encontrar indivíduos que são muito inteligentes mesmo em raças que não são consideras inteligentes segundo o ranking”.

Erick Tedesco

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