Entidades dão suporte e setores enfrentam crise com criatividade

Acipi, Simespi e Fiesp analisam cenário e mantém otimismo para retomada da economia

“Foi um período de muita apreensão e de grande adaptação aos novos tempos”. “Num primeiro momento todos tiveram que se adaptar a uma nova realidade”. “A pandemia foi um período muito complexo para todos”. As declarações semelhantes são dos líderes de entidades representativas das indústrias e do comércio da cidade de Piracicaba quando convidados a analisar os últimos 15 meses da economia local, diretamente afetada pela pandemia da Covid-19, assim como toda a economia mundial. O momento, no entanto, é de otimismo.

Euclides Baraldi Libardi, presidente do Simespi, sindicato patronal que congrega metalúrgicas, siderúrgicas e metal mecânicas, lembra que a indústria não chegou a parar totalmente e a manutenção do trabalho e do emprego foi a grande meta. Os resultados foram positivos: de acordo com o Caged (Cadastro Gerald e Empregados e Desempregados), de janeiro a dezembro de 2020, a indústria teve saldo positivo de 533 entre admitidos e demitidos. Este ano, de janeiro a maio, o saldo positivo foi de 1.633. “Resultados que se devem, em grande medida, aos acordos que o Simespi firmou com o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba e Região, logo no início da crise”, segundo o presidente. Além dos acordos firmados e que trouxeram mais segurança jurídica às associadas, a entidade reduziu em 25% o valor das mensalidades, contribuindo com o momento.

Para preparar os associados para o pós-pandemia, o Simespi tem atuado na capacitaçãode colaboradores e empresários. “Procuramos trazer profissionais, agora de forma on-line. Nosso foco está em gestão, tecnologia e inovação. Acreditamos ser fundamental para as empresas, em especial as pequenas e médias, que dependem de entidades como o Simespi para ter acesso a este suporte”, pontua.

O diretor da regional Piracicaba do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Fabio Vitti, afirma que 2020 foi um ano que deverá ser esquecido, que deixou marcas profundas com uma queda do PIB brasileiro de 4,1%.A indústria recuou 3,5% , serviços 4,5%. “Para 2021 o cenário está um pouco melhor, sendo projetado um crescimento no PIB brasileiro de 5,7%. Já o PIB da indústria de 6,9% (extrativa e mineral 2,4%, transformação 9,8% e construção civil de 3,5%)”, afirma segundo projeções com base em junho 2021.

Durante a pandemia, a entidade concedeu apoio ao crédito, buscou a manutenção do emprego e a renegociação de dívidas para a sustentação dos negócios. Vitti já aponta uma melhora no cenário, devido ao forte crescimento da economia global, impulsionando o preço das commodities e das exportações. “Temos baixos níveis de estoques na indústria de transformação, bem como o avanço nos processos de vacinação, que levam à essa projeção”, afirma.

Segundo Vitti, cada empresa dentro do seu segmento executou um estratégia e planejamento de acordo com a nova realidade. Umas terão um melhor desempenho outras nem tanto, porém o aprendizado adquirido servirá de caminhos para os próximos períodos, se reinventando de acordo com as necessidades, criatividade de cada uma. “Uma tendência que deverá permanecer de acordo com cada atividade e necessidade das demandas dos segmentos envolvidos serão as atividades virtuais e o home office”, projeta.

Para o diretor da Fiesp, os postos de trabalho perdidos deverão ser recuperados em partes, pois a medida que algumas necessidades de mão de obra num determinado segmento são diminuídas, ela poderá surgir em outros devido ao avanço da tecnologia e a necessidade de qualificações mais adequadas para a indústria 4.0 que já está a caminho.“OSenai está se preparando para oferecer ao empresário oportunidades de conhecer essas novas tendências tecnológicas”, revela.

Para a retomada da economia, entidade espera, e precisa, segundo o diretor, que os governos municipal, estadual e federal, cada um na sua prerrogativa, desenvolva uma reforma tributária que possa melhorar o “peso” dos impostos no setor produtivo e reduza a burocracia, dando celeridade à solução das demandas.

COMÉRCIO – Recém empossado presidente da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Marcelo Cançado afirma que das classes representadas pela entidade, o comércio foi o que mais sofreu. “Devido às dificuldades tivemos que nos adaptar. O foco do trabalho foi e de sempre não deixar de dar o suporte, todo processo foi intensificado em apoio aos cerca de 6.000 associados”, detalha.

Atuando para minimizar os efeitos da crise, a Acipi, de janeiro a maio deste ano, liberou o equivalente a R$ 323,7 mil em forma de créditos para associados, numa parceria com Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo). “As linhas de crédito são mais vantajosas e têm taxas reduzidas. Isso também estimula e contribui com o fomento à economia”.
Ainda no suporte à crise, a Acipifoi à justiça pela abertura do comércio, reuniu-se com autoridades, pediu prorrogação do prazo de pagamento de tributos e impostos, ofereceu apoio e informações aos associados, promoveu lives, lançou e-books, plataforma para vendas on-line, informou, isentou mensalidades, organizou e participou de atos e manifestos, divulgou linhas de crédito, distribuiu máscaras no comércio, intensificou o atendimento jurídico e de todas as outras áreas da Acipi. “Além disso, auxiliou, por meio de doações, de alimentos e itens para uso diário, entidades assistenciais e hospitais do município, reforçando seu trabalho social”, destaca.

Cançado afirma que a Acipi está otimista para uma retomada, aponta os dados positivos do Caged e a percepção da entidade quanto a uma movimentação maior no varejo e o aumento do consumo. “Embora, com todas as dificuldades e limitações impostas pela pandemia, também, percebemos que o piracicabano, não deixou de consumir, o que é fundamental para o andamento da economia. Isso nos deixa otimistas para uma retomada mais “rápida”, apesar de gradual”, conclui.

Especial Piracicaba 254 anos

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