Entre luzes e sombras – 2

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Nossa existência, sob uma perspectiva evolutiva, pode ser concebida como uma jornada, a qual transcorre entre movimentos e pausas, desvios e atalhos, terrenos planos sucedidos por outros acidentados, sob variados climas, com dias de sol e calor alternando com períodos de chuva e frio. Transitamos entre acertos e erros, entre tentativas bem-sucedidas e outras malogradas; ideais que se concretizam misturam-se a sonhos frustrados; alegrias e dores mesclam-se e dão os tons de nossa experiência cotidiana.

Ter consciência da alternância de estados e de condições nas quais se vive torna-se importante não somente para se evitar expectativas fantasiosas como para se cultivar um estado interior de serenidade e estabilidade, a partir do qual torna-se possível enfrentar com equilíbrio as adversidades da existência.

Saber que temos dentro de nós luzes e sombras, que vícios e virtudes compõem nossa personalidade e que acertos e erros fazem parte do nosso aprendizado evolutivo nos traz maior aceitação, não no sentido de nos acomodarmos nem de justificarmos nossos erros, mas de admiti-los quando venham a ocorrer, ao mesmo tempo que nos propomos a corrigi-los.

Nossa vida é repleta de imprevistos, desafios e problemas, os quais, se aceitos, compreendidos e enfrentados, podem se tornar ferramentas e material com os quais podemos elaborar versões cada vez melhores de nós mesmos.

A concepção da existência como um processo de autoaperfeiçoamento e de crescimento consciencial muda a perspectiva sob a qual as ocorrências são consideradas, inclusive as próprias reações e atitudes diante das circunstâncias.

Segundo a lei de causa e efeito, conhecida há milênios, somos, tanto individual como coletivamente, o resultado de tudo o que temos feito em nosso passado, ao mesmo tempo que estamos edificando nosso futuro, de acordo com decisões, escolhas e ações presentes. Entre a colheita do passado e a semeadura do futuro experimentamos o presente. Tal visão nos permite aceitar as limitações que ainda nos caracterizam, ao mesmo tempo que nos impulsiona no empenho de autossuperação, a fim de caminharmos com mais firmeza e segurança na peregrinação terrena em que nos encontramos.

Instruções espirituais diversas sugerem que não nos acomodemos no nível que já conquistamos, mas que, com a menor resistência possível, sigamos o fluxo criativo e renovador da vida. Só o fato de saber que estamos em um processo dinâmico e evolutivo traz-nos imenso alento, pois, apesar de quaisquer dificuldades ou empecilhos, temos a certeza de que são transitórios, e em algum momento conseguiremos superá-los e caminhar rumo a novas e melhores conquistas.

Se não estamos mais nas sombras da barbárie em que nos encontrávamos como humanidade, ainda estamos imensamente distantes da luz da sabedoria e do amor que nos acenam como possibilidades futuras.

Nessa jornada, quando aspectos mais primitivos ou disfuncionais da nossa natureza se expressam, apresenta-se uma oportunidade para reconhecermos o que precisa ser trabalhado e curado em nós. Nem pretensas justificativas para os erros nem culpas martirizantes nos parecem a melhor atitude, mas o reconhecimento sincero das sombras ainda existentes em nós mesmos é passo fundamental no sentido de iluminá-las e curá-las. Reconhecer, aceitar, transformar e integrar nossas sombras é, pois, tarefa inalienável do processo curativo, o qual nos liberta e nos habilita a realizações mais amplas, rumo à plenitude que nos aguarda.

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