Entre pedalas e desentendimentos, professor adota bicicleta como principal meio de transporte

Foto: Alessandro Maschio/JP

Para ele, principal dificuldade não é a geografia dos trajetos e, sim, o trânsito de desrespeitoso de Piracicaba

Desde 2012, o professor José Antonio Soares Jr., 32, adotou a bicicleta como principal meio de locomoção. O educador pedala para ir ao trabalho, fazer compras, consultas médicas, ir ao banco, entre outras atividades diárias. Soares mora na Vila Independência e dá aula na escola Waldorf Novalis, no bairro Monte Alegre. Diariamente são percorridos sete quilômetros para ir e a mesma quantidade para retornar, somado a idas ao Centro da cidade, o professor percorre por dia 15 quilômetros de bicicleta.

Para ele, a principal dificuldade não é a geografia dos trajetos e, sim, o trânsito de Piracicaba que, em sua avaliação, não está preparado para receber a bicicleta. “A principal dificuldade, não são as subidas, tem bastante sim, alguns lugares assustam, mas é o trânsito, principalmente a falta de estrutura, não tem segurança de ciclovias ou ciclofaixas”, aponta.

Em um trânsito criado exclusivamente para veículos motorizados, quem destoa desse cenário precisa estar preparado física e psicologicamente. Soares contou que já teve desentendimentos com motoristas que não entendem ou não aceitam que a bicicleta desenvolve uma velocidade bem abaixo do automóvel. “Como os carros estão em um espaço preparado para eles e os privilegia, as pessoas que estão ao volante vão esbanjar e, na maioria das vezes, desrespeitar o ciclista, vão esbarrar, passar rápido, não respeitar”, relata.

“Às vezes você vai fazer uma conversão, o carro não espera, te fecha, então esquecem que a velocidade da bicicleta é menor que a do carro, já tive muitos desentendimentos nesse sentido, da pessoa ficar brava por ter de esperar” afirmou acrescentando que nunca sofreu acidente grave, apenas batidas em retrovisores ou ‘prensadas’, mas já presenciou um grave acidente entre uma bicicleta e uma motocicleta, que deixou o ciclista – que não usava capacete – com um grande ferimento na cabeça.

O educador aponta a falta estrutura, políticas públicas tanto que construa, organize e ofereça condições para a bicicleta rodar com segurança, como políticas que eduquem e que fomentem a bicicleta. “Por mais que seja um contrassenso, essa questão de vender carro, vender combustível é uma necessidade urgente, Piracicaba é uma cidade que polui muito, tem muitos carros, indústria, então fomentar o uso da bicicleta , não resolveria o problema, mas ajudaria a mitigar, com certeza”, avalia.

Beto Silva
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