Envelhecer. A sombra que me acompanha.

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Conto a vocês que tenho pelejado com o tal do envelhecimento. Sorte a minha ter dr. João Clima, cardiologista que perambula também pelo Sírio-Libanês (imaginem!) e esteve até mesmo com Gilberto Gil. (Pode?) Pois cuida de mim com igual apreço. Sou-lhe gratíssimo, sempre.

Acontece que não só o coração vacila. Tudo encarquilha. Sem falar das dores que caminham cá e lá como se fizessem footing pelas articulações. Não reclamo. Chamam artrose a esta causadora de dano aos artelhos e juntas do corpo. A danada não tem dó nem piedade. Ataca. Isso, quando não entorta dedos.

O joelho, nem conto. Nos tempos em que frequentava as quadras de tênis, aqui e fora, não imaginava o mal que lhe causava. A tal lâmina fibrocartilaginosa em forma de crescente, decresceu em mim de tal forma que, penso eu, reduziu-se a nada. Revoltada, me limita o andar. Deslizar pela pista de dança, coisa do passado.

Ao encontrar-me com um e outro pela cidade em busca de algum entretenimento, ao ver-me de bastão em punho, não hesitam em perguntar-me: joelho? Sim! Um só? Tenho ganas de mandar o infeliz caçar sapo com bodoque para não causar dano moral nem ofender a quem pouco ou nada tem a ver com isso. Queria os dois? Um não basta para arruinar a caminhada?

Sem contar do tal remédio que me receitaram. A droga,  daninha à mobilidade. Não deu outra. Depois de idas a e vindas de exames demorados, dr. Theo Perencin, genial neurologista, matou a charada.  Num xeque-mate de mestre, suspendeu o dito cujo de uso diário. Ainda não corro, mas ando com alguma desenvoltura. Vez por outra, deixo o bastão de lado. Outras tantas, além de me auxiliar, faço uso dele por dois motivos: certo charme concedido pelo primor artesanal, feito em madeira de lei, e lembrar o velho Major David, meu avô materno, jornalista, que perambulava pela cidade, não por precisar dela, com bengala em punho. Moda! Major por determinação do segundo Pedro, imperador do Brasil, punha-se em gala e fazia vista na cidade onde fundara o segundo jornal mais antigo do estado de São Paulo.

Nestes últimos dez dias não tão fáceis, o que me aliviou junto ao socorro médico, foi a palavra amiga de outros bons profissionais da saúde, amigos ou ex-alunos, indicando caminhos para aliviar-me o incômodo. Dr. Antonio Alem Alam, Dr. Ademar Spallini, Dra. Hosana Maria Ramos, pediatra, mas sábia para orientar seu velho professor; Dra. Nair Helena Cerri Hebling; Dr. Roberto Reis. Sem contar de Vera (Lúcia Navarro de Andrade) Snyder que, de Los Angeles, monitora a vida do amigo de colégio e juventude, envia cremes e pomadas e trata de investigar de que modo pode minimizar as crises.

Em meio a tudo isso, não dispenso a palavra precisa de Carla e Walterly Accorsi, herdeiras de meu velho professor Walter Accorsi, que deixou em sua farmácia resultado de anos de pesquisa onde se pode encontrar bálsamo para o bem-estar. Deus, em meio a tudo isso, fica comovido, estou certo, porque vê brotar em cada um de meus cuidadores sua própria essência, a centelha do amor, da paz, do bem e da vida.

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