Piracicabana, nascida no Hospital dos Fornecedores de Cana, no dia 1º de agosto (aniversário da Noiva da Colina). Essas são algumas características da advogada Erica Gorga que justificam sua ligação à cidade natal.

Filha do casal Elecyr Rocha Gorga e Adolfo Francisco Hasdovaz Gorga, descendente de família italiana que chegou em Piracicaba para cuidar da terra, trabalhando na jardinagem da Esalq.

Erica é  bacharel em direito e doutora em direito comercial pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, com pós-doutoramento na Universidade do Texas e também formada em artes plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Na carreira profissional, ela é professora, pesquisadora e advogada. Lecionou nas universidades do Texas, Cornell e Vanderbilt. Ainda no exterior, foi Diretora do Centro de Direito Empresarial da Yale Law School e pesquisadora em Stanford e Yale.

A piracicabana foi A advogada também professora da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas por dez anos. Atuou como perita (expert witness) junto à Corte Federal de Nova York (United States District Court Southern District of New York) na ação coletiva da Petrobras – segundo ela, a maior ação cível de ressarcimento por corrupção e fraudes cometidas por uma companhia estrangeira na história dos Estados Unidos.

A advogada também é autora de livros e de artigos nacionais e internacionais, além de ser articulista no Jornal de Piracicaba.

Em 2018, Erica Gorga decidiu concorrer a uma cadeira na Câmara Federal e disputou as eleições para deputada, pelo Partido Novo obtendo 33.425 votos. À época, suas principais propostas enquanto candidata era o combate à corrupção com foco na devolução dos recursos desviados, criação de leis que permitiriam o ressarcimento e a devolução do dinheiro obtido com a corrupção aos legítimos donos, reforma do sistema de previdência oficial e complementar, da legislação empresarial, tributária e do sistema educacional.

Em tempos de pandemia, Erica tem e manifestado de forma crítica, citando prejuízos das cidades do interior na desproporcionalidade com relação a Capital.

Em tempos de eleições municipais, o nome da advogada consta do cenário local como pré-candidata à prefeitura. Essa resposta e outras, às questões feitas pelo reportagem, ela responde neste Persona.

A senhora é pré-candidata à prefeita de Piracicaba? Por qual partido?

Recebi um convite do partido Patriota para ser pré-candidata a prefeita, o que me deixou muito honrada. O Patriota é um dos únicos partidos políticos de Piracicaba que é realmente independente da velha política da cidade e da administração atual. Acompanhei o processo do partido para selecionar pré-candidatos a vereadores e verifiquei que o partido prezou pela integridade dos pré-candidatos e priorizou a renovação da política piracicabana. Não tem nenhum pré-candidato exercendo mandato político, ninguém saindo para reeleição que se beneficie do atual sistema político. O partido agrega pessoas com autonomia própria, dos bairros mais variados de Piracicaba, com intenção de questionar o que vem sendo feito e buscar melhores soluções para engrandecer e beneficiar a cidade. A minha decisão final sobre a aceitação para disputar as eleições seguirá o calendário eleitoral, de acordo com a época determinada para homologação de candidaturas.

A senhora foi candidata a deputada federal nas eleições de 2018, por que decidiu tentar a prefeitura de Piracicaba neste pleito?

Pessoas que gostaram das ideias que defendemos durante a campanha para deputada federal em 2018 começaram a sugerir a implementação de tais ideias em Piracicaba, na administração da prefeitura. Creio que esta representatividade surgiu naturalmente já que sou a mulher piracicabana que recebeu o maior número de votos de eleitores piracicabanos nas eleições passadas, numa inequívoca demonstração de confiança de milhares de piracicabanos. Muitos eleitores nos incentivaram a concorrer nas próximas eleições. Houve o convite do partido Patriota, conforme expliquei. Estamos avaliando o cenário político, analisando os números e os problemas de administração da cidade para propormos um plano eficiente de gestão. Temos escrevido sobre os problemas da administração de Piracicaba em diversos artigos publicados no JP. Na nossa visão a gestão dos contratos de serviços públicos da cidade tem deixado muito a desejar. Em uma perspectiva técnica, na área de minha especialidade, creio que há muito espaço para melhorias. Independentemente de disputar qualquer pleito, queremos contribuir para este debate. A decisão sobre a candidatura à prefeitura, no entanto, ocorrerá na época da homologação de candidaturas, seguindo o calendário eleitoral, já que temos que respeitar as regras eleitorais e o processo democrático partidário.

Por conta da pandemia da covid-19, a Justiça Eleitoral adiou as eleições para o dia 15 de novembro. O que a senhora achou dessa decisão?
Achei a decisão de adiar a data das eleições apropriada, já que estamos passando por uma pandemia, que dificulta a realização do processo democrático eleitoral, devendo haver maior tempo para planejamento de medidas de prevenção de contágio durante a votação.

Como a senhora acredita que será a campanha tendo em vista as limitações e restrições impostas pela pandemia?
Será uma campanha mais difícil, com menor contato físico com os eleitores e adoção de medidas de prevenção (máscaras, distanciamento social e muito álcool gel). Isso mais uma vez dificulta a competição para aqueles que não têm a máquina da prefeitura ou do legislativo municipal nas mãos. Infelizmente o dinheiro destinado ao combate do covid-19 pode ser utilizado de maneira inadequada com fins eleitoreiros pelos atuais prefeitos do país. Isso já foi evidenciado em vários lugares e existem até investigações em andamento. Mas, mesmo com essas dificuldades, aqueles que acreditam em uma Piracicaba melhor não podem se abater, e devem se manter firmes aos seus ideais. Todos os pré-candidatos devem superar a desigualdade de condições e fomentar o debate de ideias e propostas genuínas que melhorem a cidade.

Além do adiamento das eleições, outros fatos locais têm causado movimentação no cenário político, como o pedido de cassação e a possível inelegibilidade do prefeito Barjas Negri (PSDB). Em sua opinião o que esses fatos representam para as eleições deste ano?
Li as notícias na imprensa sobre a inelegibilidade do atual prefeito por condenação em segunda instância. Acho que é uma decisão final que cabe à justiça eleitoral avaliar, e não a mim. Como eleitora do município de Piracicaba, acredito que deve afetar as eleições. Mas, independentemente disso, já vejo razões suficientes para a necessidade salutar da alternância do poder político da cidade. O partido político que controla a prefeitura piracicabana vai concluir quatro mandatos políticos ininterruptos. E pretende permanecer no poder por mais quatro anos, o que significaria vinte anos consecutivos no poder. Ter um mesmo partido político dominando o poder por vinte anos não é salutar para a democracia. Piracicaba não pode permanecer sendo governada para sempre por este partido.

Aos menos quatro mulheres devem ser candidatas à prefeitura em Piracicaba. A senhora acredita que está na hora da cidade ter uma mulher à frente do Poder Executivo? Por quê?
Sinceramente não sei se teremos tantas mulheres na disputa eleitoral conforme você diz. Torço para que sim, mas, infelizmente, sabemos pela história que alguns dirigentes de partidos políticos, onde não existe real independência, tentam boicotar as candidaturas independentes femininas até o último minuto. Isso não é novidade. Não é à toa que em pleno século XXI a nossa cidade nunca teve em sua história uma prefeita. Acredito sim que é necessária uma mudança desta realidade com maior participação feminina na disputa pelo poder executivo.
 
Como a senhora avalia a situação da pandemia de covid-19 no Brasil, no Estado e município?
Já escrevi artigos e gravei vídeos explicando que, do meu ponto de vista, as cidades do interior paulista sofreram um ônus desproporcional nesta pandemia, e ficaram à mercê da política do governo que priorizou as decisões pensando na capital e em dividendos eleitorais.

No Brasil, a pandemia tem sido tratada como um problema de saúde pública ou como uma questão política?
Infelizmente está sendo tratada como questão de guerra política, em prejuízo da grande maioria da população.

Quais serão os principais impactos no país no pós-pandemia?
Além da triste perda de vidas, que está ocorrendo em todos os países, inclusive naqueles mais desenvolvidos e ricos como os Estados Unidos, acredito que o maior impacto será indubitavelmente no desemprego e na falta de renda da maioria da população. Pela primeira vez na série histórica disponível de dados, o número de pessoas desempregadas ultrapassou o número de pessoas empregadas em todo o país. Isso também afeta diretamente a saúde das pessoas pela segunda vez, pois a falta de trabalho e de recursos financeiros implica em dificuldades sérias, inclusive nos cuidados com a saúde das famílias afetadas. É uma miragem acreditar que as pessoas podem viver bem sem trabalho.

E em Piracicaba, qual será o principal desafio do (a) prefeito (a) eleito (a) ao assumir a cidade em 2021?
Recuperar a grandeza da nossa cidade. O viés político no ataque da pandemia do coronavírus fez com que nossa cidade fosse paralisada muito cedo, quando a capital era o epicentro da doença. Já naquela época, nos posicionamos claramente em artigos neste jornal avisando que o fechamento das atividades da cidade era prematuro. Hoje a capital retornou às atividades, inclusive com a abertura de bares, mas nossa cidade permanece fechada. O interior paulista está arcando com ônus bem maior que a capital. A administração atual não lutou pela autonomia e independência da cidade. Com isso, a falência e a perda de renda de famílias piracicabanas foi maior do que o esperado, mesmo num contexto de crise. A queda de arrecadação do município também foi maior. Houve troca dos prestadores de serviços públicos sem licitação durante a pandemia. O desafio da nova administração será enfrentar o caos orçamentário, com o empobrecimento das pessoas, e promover a recuperação da cidade, conduzindo Piracicaba para o lugar que merece, como cidade de grande destaque do estado de São Paulo.

Em sua opinião, qual a lição que a pandemia de covid-19 deixa para os países, estados e cidades atingidas?
Deixa a lição de que decisões políticas populistas e eleitoreiras não resolverão os problemas das pessoas. Sem condições de emprego não há saúde para a maior parte da população. Pessoas do grupo de risco e as que podem ficar isoladas, por trabalharem em casa, por serem aposentadas ou terem poupança para tanto, devem permanecer em isolamento. Mas é preciso combinar a proteção da saúde com a viabilização do trabalho fora de casa, pois a maioria da população depende dos empregos que devem ser incentivados com políticas públicas adequadas de prevenção.

Beto Silva

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