Ernst e Cidinha Mahle: história de casal é sinônimo de devoção à música e ao ensino para alunos

Foto: Amanda Vieira/JP

Maestro finaliza sua quinta ópera; durante a pandemia, casal aproveitou para estudar ainda mais

É impossível falar da evolução cultural de Piracicaba sem citar o legado do casal Ernst e Cidinha Mahle. Ele, com 93 anos, e ela, com 90, democratizaram o acesso à música e são sinônimos de forte parceria na vida pessoal e profissional.

Nascido em Stuttgart, na Alemanha, Ernst Mahle e os pais Ernst Mahle e Else Mahle chegaram ao Brasil em 1951. Começou a estudar arte na Escola de Música Pro Arte com o professor H.J. Koellreutter, em São Paulo, em 1952. No ano seguinte, ele e um grupo de amigos fundaram uma unidade da Pró-Arte em Piracicaba. Nessa época, Ernst passou a dar aulas semanais em Piracicaba e, em 1955, se casou com a piracicabana Maria Apparecida Romera Pinto Mahle, ex-aluna de Koellreutter e uma das fundadoras da Empem (Escola de Música de Piracicaba Ernst Mahle). Com o volume de trabalho cada vez maior, o casal se fixou em Piracicaba, onde tiveram os filhos Ernesto, Cecília Elisabeth (já falecida), Claudio, Ricardo e Leonora. A família cresceu com os netos Erick, Sebastian, Cecília e Inês e também com uma bisneta.

Devido à pandemia de covid-19, o casal Mahle ficou recluso. “A pandemia acabou nos deixando mais estudando, lendo e trabalhando em casa. Especialmente isso aconteceu no caso do Mahle, que se dedicou ainda mais a compor e, inclusive, está acabando de escrever sua quinta ópera, além de atender a pedidos de vários instrumentistas, resultando numerosas obras para cordas, sopros, coro”, diz Cidinha, que recebeu o JP em sua casa para falar dos 255 anos de Piracicaba.

Ernst, inclusive, fez vários votos à cidade que lhe acolheu. “Desejo muito progresso: intelectual, artístico, material e naturalmente, moral e cívico”. Cidinha ressalta a importância do município ao abrir acesso à educação e à cultura, como forma de evoluir a sociedade. “A educação inclui ou pelo menos deveria incluir a cultura, pois é diferente a maneira de encarar a vida, quando o espírito e a sensibilidade se abrem para o que é belo e valioso em nossa existência”, declara.

EMPEM
A Empem foi fundada em 9 de março de 1953 com o nome de Escola Livre de Música Pró-Arte de Piracicaba, uma filial da Pró-Arte de São Paulo. Os pilares, seus criadores, são Cidinha e Ernst Mahle, junto ao músico e compositor Hans Joachim Koellreutter (fundador da Pró-Arte na capital). Oferece cursos de vários instrumentos de cordas, sopros, percussão, piano, violão, matérias teóricas, além de cursos especiais para crianças, a partir de 4 anos de idade.

“A Empem sempre ofereceu cursos excelentes para seus alunos, crianças e jovens, estimulando-os a gostar de estudar música. Vários tornaram-se excelentes profissionais, atuando posteriormente em orquestras do Brasil ou mesmo no exterior. E mesmo os que se dedicaram a outras profissões e atividades gostam de lembrar o bom tempo em que ali conviveram e aprenderam. Calculamos que nestes quase 70 anos de vida da Empem uns 5000 alunos passaram por lá. Atualmente, o número de interessados em estudar música com seriedade – seja para se tornarem profissionais ou desejando aprender como um complemento de educação e cultura – não é mais levado com a constância desejada. Mas esperamos que essa fase seja temporária”, diz Cidinha.

E esta parceria de vida do casal, regada a amor e música, tem a ver com devoção. “O Mahle e eu somos pessoas de temperamentos bastante diferentes, mas muito semelhantes em vários outros aspectos, especialmente em relação ao nosso trabalho, ao qual sempre fomos muito devotados: à educação, ao ensino musical e aos nossos queridos alunos”.

Nani Camargo
Especial para o JP

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