EsalqLog recebe carcaça de barco e aumenta acervo do futuro museu

Foto: Claudinho Coradini/JP

A área de 3.113 metros quadrados anexa à EsalqLog (grupo de pesquisa e extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) será, em breve, um grande museu a céu aberto. O espaço, já nomeado Museu de Logística, recebeu no final do mês de abril uma carcaça de barco que pesa 33 toneladas, já devidamente acomodado em campo aberto junto a um icônico caminhão modelo L111S (que fez muito sucesso pelas rodovias do Brasil em décadas passadas), uma carreta tanque vaso de pressão e uma antiga bomba de combustível.
A barcaça agora passa por reforma para que, no futuro, visitantes possam subir no convés. O item é, oficialmente, um empurrador hidroviário doado pela Raízen, que era utilizado antigamente na Usina Diamante, em Jaú.
Armazenado no estaleiro Vale do Tietê, em Barra Bonita (SP), o empurrador foi transportado para o campus da USP em Piracicaba para integrar o acervo do museu e a trajetória, como revela o diretor do futuro museu, Vitor Pires Vencovsky, foi um verdadeiro périplo fluvial e terrestre.
“Estivemos na usina, visitamos o local do empurrador aposentado e consideramos uma peça interessante ao museu. A partir disso, há anos, começamos os trâmites para viabilizar o transporte de Jaú até Piracicaba. Contratamos uma empresa para levá-lo ao estaleiro de Barra Bonita e lá o barco ficou um tempo, esperando a carreta para retirá-lo do rio Tietê. Foram necessários dois guindastes para colocá-lo na carreta”.
Mais dois guindastes também foram contratados para a logística da pesada carcaça já em Piracicaba, continua Vencovsky. “Na área da EsalqLog foi colocada em cima de uma estrutura metálica aterrada a 10 metros de profundidade, para aguentar o peso do empurrador”. Também foi preciso mudar algumas estruturas da EsalqLog. “Colocá-lo dentre da Esalq foi outro desafio, afinal, a EsalqLog fica ao fundo do campo, não é fácil de chegar. Foi feito terraplanagem e três portões foram trocados”.
O empurrador, conta o diretor, servia para empurrar barcaças cheias de cana-de-açúcar. Naquela região, usam barcos para transportar cana pelo rio Tietê, invés de utilizar rodovias”. O barco veio sem motor e velas. São 30 toneladas do casco e mais três de uma cabine, que ficava em cima de uma estrutura que se deslocou e, por isso, não foi trazida a Piracicaba.
O museu, segundo Vencovsky, é um projeto iniciado há três anos por iniciativa de José Vicente Caixeta Filho, hoje diretor da EsalqLog. O objetivo, além da preservação histórica, é difundir junto à sociedade o universo da logística. A visitação ao público ainda depende de novas peças e adequações do local.
O próximo passo, já em curso, é trazer uma antiga locomotiva, como conta Vencovsky. “Está em Araraquara, era utilizada pela Brasil Ferrovias. Segundo temos informações, operou até uns 10 ou 15 anos atrás”.