Escola, cemitério e matadouro atraem visitantes a Piracicaba

Última reportagem da série, traz Escola Sud Mennucci, Cemitério da Saudade e antigo Matadouro. (Foto: Leandro Palauro Alves)

Uma escola, um cemitério e um antigo matadouro. Pode parecer curioso para quem vive em Piracicaba há anos e nunca pensou em visitar nenhum desses locais. Mas a Escola Estadual Sud Mennucci, o Cemitério da Saudade e o prédio do antigo Matadouro estão entre os 20 pontos turísticos do município levantados para a série de reportagens do Jornal de Piracicaba, que termina neste domingo. Esses três locais se destacam pela sua história e arquitetura diferenciada.

Tombada como patrimônio histórico pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), a Escola Estadual Sud Mennucci foi fundada em 1897.

A instituição foi voltada à formação de professores até 1911, quando passou a ser denominada Escola Normal. Na época, funcionava em um prédio na Rua do Rosário, no Centro. O prédio atual, na Rua São João, foi inaugurado em 1917 e desde então funciona como escola estadual.

“A beleza do prédio faz com que a escola seja reconhecida como uma das dez maravilhas do município de Piracicaba. A arquitetura idealizada por João Bianchi e adaptada por Artur Castagnoli é belíssima e há trabalhos artísticos por toda a instituição. Desde as paredes com afrescos distintos em cada sala de aula, as obras nas paredes da sala de música, hall de entrada e salão nobre”, disse Márcia Aparecida Lima Vieira, diretora da Sud Mennucci.

Atualmente, a escola está em obras. “Essa reforma contribuirá em muito para o nosso cotidiano. No entanto, é uma obra restrita. A parte artística, que também está muito desgastada, não é foco desse processo, que tem como meta o restauro das portas e janelas e pintura com algumas pontuais intervenções em outras questões”, esclareceu. A previsão é que tudo seja concluído até julho.

Essa unidade de ensino conta atualmente com 430 alunos que cursam o 6º e 7º ano do ensino fundamental e o ensino médio. A instituição é aberta para visitas em dias não letivos, ou seja, no recesso ou nas férias escolares.

JAZIGOS HISTÓRICOS

Com uma área total aproximada de 93 mil metros quadrados e cerca de 15 mil sepulturas, o Cemitério da Saudade tem ao menos mil jazigos históricos de personalidades.

Entre os mais visitados por turistas estão o jazigo de Prudente José de Moraes Barros (primeiro presidente civil do Brasil); padre Galvão; Nelson Machado Santana (menino da chupeta); Almeida Junior (artista plástico); Paulo de Moraes (médico sanitarista e político); e Monsenhor Jerônimo Gallo (vigário da Igreja Imaculada Conceição da Vila Rezende).

O Cemitério da Saudade iniciou suas atividades em 1860 como cemitério protestante. Foi municipalizado em 1872 e, em 1906, houve a instalação do Portal da Entrada, projetado por Serafino Corso e construído por Carlos Zanotta. Em 1953, por indicação do então vereador Oscar Manoel Schiavon, passou a se chamar Cemitério da Saudade.

MATADOURO

No início do século 20, o abastecimento de carnes era considerado calamidade pública em Piracicaba. Após várias tentativas de sanar os problemas decorrentes do antigo matadouro, decidiu-se por construir um novo matadouro municipal. Começou a funcionar em 8 de janeiro de 1914.

O prédio foi construído para abrigar um matadouro de animais para abastecer a população de Piracicaba, que na época precisava de um local mais limpo e moderno dos que já existiam no município.

Em maio de 1973 o local foi desativado por ordem federal por estar defasado. Entre 1975 e 1985 funcionou como entreposto municipal de abastecimento de gêneros alimentícios. Após esse período, serviu como depósito de materiais para diversas secretarias.

No ano de 1990, o então prefeito da cidade, José Machado, decretou o tombamento do edifício. O prédio foi recuperado entre os anos de 2003 e 2004 graças a uma iniciativa da Emdhap (Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Piracicaba), que utiliza o local até os dias de hoje.

O prédio é de tijolos à vista, com detalhes ornamentais em concreto e reboco, telhados com estrutura metálica de sustentação, janelões com esquadrias de ferro e galpões. A coloração marrom com detalhes em amarelo creme do antigo matadouro destaca-se sobre o conjunto paisagístico do bairro do Algodoal.

“Piracicaba é uma cidade com grande potencial de desenvolvimento turístico, tanto para o Estado de São Paulo como para o Brasil. Nossos visitantes podem desfrutar de uma vivência e experiência singular em nossos atrativos turísticos, que reúnem natureza, gastronomia, história e cultura”, afirmou Rose Massarutto, diretora de turismo da Semdettur (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo).

O potencial turístico de Piracicaba rendeu ao município R$ 5 milhões em arrecadação de impostos, gerou mais de 370 empregos e atraiu 211 mil visitantes, inclusive de fora do Brasil, em 2019. Os números integram o PDT (Plano Diretor de Turismo) da Prefeitura e fazem referência à última pesquisa realizada antes do início da pandemia do novo coronavírus, em março de 2020.

De acordo com Rose, a intenção, nos próximos anos de governo, é apresentar projetos com foco no desenvolvimento e manutenção do turismo.

“O PDT mostra que nossos investimentos de manutenção são expressivos na integração dos parques lineares da Rua do Porto. A proposta é melhor conservação de algumas áreas já ocupadas com a atividade do turismo e um maior empenho financeiro em outras com menor ocupação, como por exemplo, o Parque do Mirante, que, segundo um diagnóstico inicial, precisa de um projeto de requalificação pelo seu estado de degradação atual”, afirmou.

Melhorias como a prevista para o Parque do Mirante podem ser, no futuro, custeadas pelo governo do Estado caso Piracicaba consiga ser reconhecida como MIT (Município de Interesse Turístico), condição que dá acesso a uma verba estimada em R$ 700 mil por ano para ser investida no turismo local.

O pedido para que a cidade se torne um MIT tramita na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) por meio de dois projetos de lei de autoria dos deputados estaduais Roberto Morais (CID) e professora Bebel (PT).

Ana Carolina Leal
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