Especial Thales de Andrade: Pioneiro na literatura ecológica e engajamento político

Livro Saudade, escrito em 1917 e lançado em 1919 já conta com mais de 90 edições (Foto: Amanda Vieira/JP)

Um Thales Castanho de Andrade mais político e engajado em causas que extrapolaram a literatura foi, em 2007, tema de mestrado na Unicamp (Universidade de Campinas) do pesquisador Alexandre Mauro Bragion, com atuação em Piracicaba. ‘Saudade: a utopia ruralista de Thales Castanho de Andrade’ passa por vários pormenores da obra do escritor e é uma reflexão pertinente sobre como ele ainda é um autor relevante, aos 130 anos.

“Thales é um dos precursores da literatura infantojuvenil, sim. Tem a grande publicação Saudade, em 1919, e fica a questão de que Lobato escreveu Reinações de Narizinho em 1921. Mas alguns outros textos vieram antes, como um de Olavo Bilac, Através do Brasil, um dos primeiros para crianças, além de alguma coisa de Rita de Almeida e a Revista Tico-Tico, de 1905”, aponta o pesquisador, com ponderações sobre um pioneirismo quase imaculado de Thales.

Na tese, Bragion além da análise crítica da estrutura de Saudade, propõe uma leitura histórica que abrange o período no qual o romance foi produzido e expõe os referenciais pedagógicos que Thales sustenta e o sistema literário que o circunda. “O que ele realmente é precursor é de algumas temáticas, com O Filho da Floresta, de 1918, ele aborda questões ecológicas, quando ninguém falava disso”. Outra questão que merece destaque neste pioneirismo é a sua preocupação pedagógica, ressalta Bragion. “Lobato faz uma referência a Thales no lançamento de Reinações. Envia a ele um exemplar com uma dedicatória em que diz: ao piracicabano Thales Castanho de Andrade, padrinho de Narizinho, te dedico este exemplar porque você é pedagogo. Reconhece que a literatura do Thales tinha uma preocupação educacional, como o da ecologia”.

Além disso, a questão do campo que é evidenciada já em 1919 em Saudade. “Faz um movimento de exaltação da vida rural e não à toa. Foi no momento de urbanização de São Paulo e o campo fica desprestigiado. Migram à cidade atrás de emprego, modernidade”.

O Thales foi ainda um dos fundadores do PRP (Partido Republicano Paulista), chegou na época a assumir um cargo que seria, hoje, um secretário de Educação do Estado, conta o pesquisador. “Migrou muito para o campo da política, teve reconhecimento em vida, mas não só pelo que escreveu, e também por ser uma pessoa importante, bem relacionado, com contatos no mundo todo”.

Erick Tedesco

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