Esporte educacional, uma experiência para ser construída

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Hermes Balbino é secretário municipal de Esportes, Lazer e Atividades Motoras

O esporte é um dos maiores fenômenos sociais do mundo contemporâneo e se mostra repleto de possibilidades de aprendizados para o crescimento e o desenvolvimento pessoal nas dimensões física, emocional, social, mental e espiritual. Nestes campos de jogos estão as oportunidades de seus aprendizes se capacitarem para a vida, percebendo o mundo para além de si mesmos, instigados pela riqueza das situações desafiadoras que jogos ou competições provocam.

Para lidar com os desafios que o esporte oferece, o cenário que o sustenta deve ser mais amplo que o olhar para o desempenho que se traduz em um resultado em si, e se dirigir para a expressão da pessoa em sua totalidade. Se olharmos para o jogo esportivo exemplificado pelo basquetebol, voleibol, futebol, handebol ou futsal, ali estão oportunidades de experimentar significativos valores para vivermos em sociedade, gerados a partir dos significados tomados dos ricos momentos presentes no aprendizado e na competição esportiva que também é educativa, já que na vida em sociedade constantemente entramos em contato com vitórias ou derrotas, conquistas e frustrações.

Com a atenção voltada para otimizar essa potência pedagógica em que o esporte se torna um fenômeno para viver o ensino e a aprendizagem para a vida, se faz necessário adequar seu tratamento para um olhar pedagógico, para que evitemos que essas oportunidades preciosas da história de quem joga sejam ignoradas, e sim aproveitadas e tomadas com significados construtivos e produtivos.

Para tanto, os professores e técnicos que ministram atividades na área esportiva devem ser valorizados e respeitados como agentes que influenciam a experiência pessoal de seus alunos neste campo de jogo, apadrinhando o processo de ensino e aprendizagem de seus aprendizes para toda a vida, como imaginava o sociólogo José Maria Cagigal ao participar da organização dos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992.

Tomamos com referência alguns princípios que nos permitem visualizar os processos de ensino esportivo como elementos nutridores do crescimento e formação pessoal. Há que se respeitar a maneira como quem joga se compreende e se percebe no mundo, como organiza suas experiências provocadas pelos desafios dos jogos e competições, e como soluciona seus problemas ao mostrar-se para o mundo como um aprendiz do jogar.

Ao pretendermos oferecer a aprendizes uma experiência de aprendizado pelo esporte, é gerada a necessidade de também existir nesta arena, ou seja, que este lugar de aprender para a vida seja desprovido de ameaças ao seu autoconceito. É necessário afastar as situações que provocam vergonha, culpa ou que sufoquem a concepção que aprendizes fazem de si. Pensando assim, seria de elevado otimismo pedagógico acreditar que o processo de iniciação e formação esportiva seja essencialmente educativo?

Estas valiosas oportunidades educativas podem ser geradas no cumprimento de regras, respeito ao companheiro de equipe e ao adversário, compreensão da hierarquia na relação com o técnico ou professor, ou mesmo na presença dos conhecimentos clássicos da ciência como o funcionamento do corpo e os campos vários da biologia, as leis da física que impulsionam ou limitam os movimentos corporais, os conceitos da psicologia que otimizam a compreensão das estratégias de jogo e dão sustentação às relações humanas.

Temos conhecimentos que podem ser traduzidos como oportunidades para a construção da história pessoal de quem joga que enriqueça suas características pessoais tornadas atributos pessoais para a vida e que possivelmente serão despertados e vivificados no ambiente potencialmente pedagógico da atividade esportiva.

Enfim, tomamos como reflexão o que transmitiu em sua obra o educador físico, psicólogo e sociólogo Pierre Parlebás, ao dizer que o esporte carregará consigo o significado atribuído a ele, ou como em suas palavras, “é aquilo que se fizer dele”, podendo formar pessoas capazes de ações duvidosas ou de valores elevados. Sigamos!

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