Estado pode chegar a 1,5 milhão de casos e mais de 35 mil mortes, diz estudo

Evento da Esalq/USP sobre estatística continua hoje (Foto: Amanda Vieira/JP)

A pandemia da covid-19 pode fazer vítimas fatais no Estado de São Paulo até o fim da primeira quinzena de janeiro do ano que vem, segundo previsão do aplicativo CovidLP, que, com base nos dados do Ministério da Saúde de diversos países e por meio da estatística, prevê o comportamento da pandemia a curto (2 semanas) e longo prazo (até o fim da pandemia). De acordo com a atualização mais recente da plataforma – com dados de 3 de agosto – o número de mortos por covid-19 no estado pode chegar na média de 35.130, variando entre 32,5 mil e 38 mil óbitos. Já os casos confirmados podem chegar à média de 1,5 milhão de diagnósticos, podendo haver novas notificações de positivados até 30 de maio de 2021.

Até ontem, o estado contabilizava 575.589 casos e 23.702 óbitos pela covid-19. De acordo com a plataforma, o estado está na fase de pico de novos casos (entre 30 de julho e 15 de agosto) e a fase de pico dos óbitos passou, foi entre 16 de junho e 7 de julho.

A estatística tem sido ferramenta importante para analisar o comportamento da pandemia da covid-19 e evidenciar a necessidade das medidas de contenção, como o distanciamento social. Por isso, o Programa de Pós-Graduação em Estatística e Experimentação Agronômica da Esalq/USP promove o “Workshop em Estatística Aplicada”.

Em dois dias do evento virtual, ontem (4) e hoje (5), nove palestrantes do Brasil e de outros países apresentam trabalhos que visam entender a pandemia.

Quem abriu o workshop foi o doutor em estatística e professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Dani Gamerman, que apresentou o aplicativo CovidPL. “A gente [trabalha] e vai estar prevendo os casos confirmados e óbitos de acordo com as datas que eles foram informados aos Ministérios e Secretarias de Saúde de todo o mundo”, explica Gamerman.

O professor pontua que as previsões são feitas supondo que as medidas de contenção da pandemia no dia da coleta dos dados serão as mesmas no futuro. Assim, não é levada em consideração possibilidades do impacto que o aumento no índice de isolamento social pode ter no registro de novos.

“A gente não está contemplando possibilidades que têm se materializado de modificações no comportamento. A gente está vendo, essa pandemia em particular é altamente contagiosa, então ela é altamente influenciada pelas condições de isolamento e de testagem”, salienta Gamerman.

Para chegar às previsões, o aplicativo CovidLP leva em consideração a queda das notificações de novos casos e óbitos aos fins de semana. De acordo com Gamerman, esse fator ocorre em todos os países, mas no Brasil é mais acentuado. Desta forma, assim como ocorre diminuição das notificações entre sábado e segunda-feira nos boletins do MS, a plataforma desenha esse movimento na previsão diária de casos e óbitos.

O CovidLP está disponível para consulta em https://dest-ufmg.shinyapps.io/app_COVID19/. Na plataforma é possível analisar o comportamento da pandemia em outros estados e países.

OUTRAS PALESTRAS
Ontem o workshop contou ainda com debate sobre a pós-graduação durante a pandemia e palestras do pesquisador belga Geert Molenberghs e do brasileiro Vinícius Fernando Calsavara, do Centro Internacional de Pesquisa A. C. Camargo Cancer Center, de São Paulo.

Andressa Mota