Estrela que sobe, estrela que desce

A low angle shot of the mesmerizing starry sky

Napoleão revolucionou em profundidade, entre muitas outras coisas, a arte da guerra. Suas vitórias rápidas e fulgurantes pareciam passes de mágica.

Hoje, seu sistema é bem conhecido. A rapidez de movimentos, a concentração de força nos pontos de junção dos movimentos adversários, a contínua busca para meter-se como uma cunha no meio das forças inimigas sem se deixar envolver por elas, mas batendo-as separadamente, o hábito de se abastecer com os recursos do terreno em que estava agindo, tudo isso foi estudado e assimilado.

Em última análise, Napoleão surpreendia os adversários porque conhecia bem a formação teórica dos generais do seu tempo e podia prever com grande margem de probabilidade como cada qual procederia se colocado diante de determinadas condições. Bastava-lhe, com seu talento, fazer algo que fugia dos esquemas, e isso induzia o oponente a erro e o levava à derrota. Era um jogo desigual; ele sabia como os adversários reagiriam; e agia de modo surpreendente e desorientador, parecendo estar seguindo as normas gerais…

Entre o início da carreira meteórica de Napoleão e sua queda, numerosos teóricos militares analisaram suas campanhas, na tentativa de aprender o seu “pulo do gato”. Foi o estado maior austríaco, sob o comando do Arquiduque Johann von Habsburg (fi- lho do Imperador Francisco I e irmão da nossa Imperatriz D. Leopoldina), que afinal, depois de ter sido derrotado várias vezes por
Napoleão, conseguiu teorizar o modo de vencê-lo.

Na campanha de Austerlitz (1805), Napoleão realizou plenamente e de modo brilhante sua tática. Conseguiu isolar os dois corpos
adversários, colocando-se entre eles e derrotou-os rapidamente, um depois do outro. Em seguida, tomou Viena, onde encontrou abundantes provisões para prosseguir a guerra. Ele cometeu alguns erros nessa campanha, mas mais de uma vez foi salvo quase milagrosamente, por coincidências ou acasos. Sua estrela estava em ascensão.

Já na campanha da Rússia (1812), ela tendia a cair. Napoleão subestimou o adversário e calculou mal sua estratégia. O comandante russo Kotusov evitou ao máximo as batalhas frontais, nas quais os franceses levariam vantagem, e adotou a política de terra devastada, cortando aos invasores as rotas de abastecimento. O velho sistema napoleônico de se deslocar rapidamente, sem preocupação com transporte de víveres, não funcionou na Rússia. A conquista de Moscou, que Napoleão imaginava ser uma reedição da tomada de Viena em 1805, revelou-se a maior das decepções. Taticamente, Napoleão foi sempre vencedor, no passo a
passo, durante toda a sua caminhada até Moscou. Mas, estrategicamente, tinha cavado a própria sepultura. Os truques que costumava fazer de nada lhe valeram. Venceu o contemporizador Kotusov. Sobretudo venceu o General Inverno.

Em Waterloo (1815), Napoleão caiu porque, com seu ego cada vez mais inflado e sempre confiando nas próprias intuições geniais, subestimou Wellington. Foi este que desorientou Napoleão usando as próprias armas do corso, pois posicionou seu exército bem diante de um bosque espesso – o que era proibido por qualquer manual de tática militar, já que impossibilitava uma rápida retirada e facilitava, ao opositor, uma manobra de envolvimento. Diante do “erro” intencional de Wellington, Napoleão fez o que qualquer general faria: lançou força total na batalha, para vencê-la rapidamente antes que chegasse o exército prussiano que reforçaria as tropas adversárias. Mas Wellington sabia que tinha condições de resistir durante horas, até que chegassem os prussianos. E resistiu, numa luta dura e prolongada. O exército prussiano de Blucher chegou ao fim da tarde. E os franceses, encurralados entre dois fogos, foram derrotados.


Imagem: wirestock

Leia mais:

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite o seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

dez − quatro =