Estudo da USP demonstra alta taxa de contaminação de Covid-19 no campeonato paulista

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Jogadores do Corinthians utilizam máscaras antes do início da partida - Crédito foto: Rodrigo Coca

Com os índices alarmantes dos casos de Covid-19, o governo do estado de São Paulo prorrogou ao menos até o dia 11 deste mês, a fase emergencial para o controle da pandemia. As medidas restritivas atingem todos os setores da sociedade, o que inclui o futebol e as outras modalidades esportivas, que seguem com suas atividades paralisadas em São Paulo.

A paralisação do futebol gera debates e controvérsias, já que a maioria dos clubes envolvidos no campeonato paulista alega que a modalidade é segura. A FPF (Federação Paulista de Futebol) anunciou no final de março, a criação um protocolo e de uma “bolha” para garantir medidas de segurança e a retomada da competição estadual.

A segurança do futebol paulista, no entanto, é contestada em pesquisa divulgada pela USP (Universidade de São Paulo), através de estudo que demonstra que o torneio estadual de futebol tem grande taxa de contaminação pelo novo coronavírus. A pesquisa foi desenvolvida com base nas competições disputadas na temporada 2020, quando foram analisados 30 mil testes de RT-PCR aplicados em 4.269 atletas participantes de oito torneios, sendo seis masculinos (Taça Paulista, Sub-23, Sub-20 e as três divisões do futebol paulista) e os torneios do feminino (campeonato estadual e o Sub-17). Os resultados dos exames apontaram que 11,7% dos atletas testados foram infectados pelo novo vírus.

Os integrantes da comissão técnica, dirigentes, roupeiros e outros profissionais de apoio também foram testados e houve infecções em 7% dos 2.231 profissionais do “staff”.

E a taxa de infecção no futebol do estado de São Paulo poderia ser ainda maior, já que atletas dos clubes que disputaram torneios nacionais tiveram a opção de realizar os testes em laboratórios que não estão comissionados à Federação Paulista e, portanto, não engrossaram os números desse estudo.

A incidência dos casos apresentados pelo estudo da USP é bem superior que o da Bundesliga, a liga alemã de futebol, onde o índice de contaminação pelo coronavírus é de 0,6% com apenas oito casos confirmados entre 1.702 jogadores testados.

O professor da Faculdade de Medicina da (FM-USP) Bruno Gualano que é o coordenador da pesquisa, disse que a taxa de contaminação é maior entre os membros das equipes de apoio, já que esses profissionais têm média de idade mais alta. O estudo mostra que, entre os atletas, os sintomas foram leves e assintomáticos. A preocupação do pesquisador, contudo, é a contaminação secundária, quando os atletas retornam às suas famílias.

O pesquisador admite que o risco de transmissão do vírus durante as partidas é pequeno, mas aponta outros fatores que comprometem a eficácia do protocolo de segurança e podem causar os surtos, como nos casos em que as equipes menores acabam viajando de ônibus com maior exposição de seus jogadores.

O estudo evidencia que em alguns times houve o registro de 36 casos positivos, sendo 31 em um único mês. Outros sete times tiveram mais de 20 casos confirmados e 19 registraram dez ou mais casos.

Edilson Morais

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