Etanol sobe 40% na usina; na bomba, a alta é de 86,3%

Foto: Claudinho Coradini/JP

O clima reduziu a safra de cana e o dólar, valorizado, atrai usineiros para a exportação de açúcar, diz especialista

O preço na usina dos etanóis anidro e hidratado estão na casa dos 40% mais caros no comparativo com o ano passado. Segundo a última análise do Cepea/Esalq (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), de setembro, a média do indicador exibido em análise de conjuntura para o hidratado foi de R$ 2,9827 o litro, bem acima dos R$ 2,1337 em de 2020: uma alta de 39,8%, em termos reais (deflacionado pelo IGP-M de setembro deste ano). No caso do anidro, o Cepea apurou que a média da parcial desta safra é de R$ 3,3537 o litro, superior em 43,2% superior frente ao mesmo mês anterior.

O tipo anidro é adicionado a gasolina, já o hidratado é aquele disponibilizado nos postos de combustível. O doutor em economia e Gestor de Projetos do Pecege (Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas), Haroldo José Torres da Silva, explica que o preço bom do açúcar no mercado externo tem feito usineiros virarem a chave na usina e optarem pelo produto de exportação. As condições climáticas também são apontadas como fator prejudicial ao rendimento nas lavouras de cana-de-açúcar : seca, geada e queimadas. A gasolina, câmbio e mercado de petróleo também puxam a valorização do biocombustível.

“Nós vamos ainda enfrentar preços elevados de combustível no Brasil principalmente pelo câmbio desvalorizado, pressionando a gasolina, e, do outro lado, porque a oferta de cana-de-açúcar ainda continuará bastante restrita nos próximos anos em função das secas recentes”, prevê o especialista.

NA BOMBA
Se na usina o preço subiu, quem abastece com o etanol sofreu mais. Conforme dados disponibilizados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) sobre o varejo em Piracicaba, o litro escalou 86,3% de agosto de 2020 para setembro de 2021. O litro vendido a R$ 2,499 no ano passado deixou saudades frente aos R$ 4,565 de setembro agora. Atualmente, segundo a pesquisa mais recente da agência, o preço médio é de R$ 4,688. A variação na bomba está entre R$ 4,497 e R$ 5,099 o litro, mostra a síntese dos preços praticados até ontem (sábado).

Cristiane Bonin
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