Evento apresenta experiências para a segurança de crianças online
Fonte: Agência Brasil

As crianças vêm se tornando um público cada vez mais frequente na internet e no uso de tecnologias digitais. Com a ampliação da conectividade, aparecem tanto potencialidades quanto riscos. Práticas diversas, como ciberbullying, discurso de ódio, abuso na coleta e tratamento de dados e exploração comercial deste público vêm levantando preocupações de governos, pesquisadores, empresas e associações da sociedade civil.

O Comitê Gestor da Internet (CGI.Br) realizou esta semana o evento Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet para discutir o tema, em parceria com entidades como o Instituto Alan. O encontro apresentou diversas iniciativas em curso para promover um uso seguro e saudável para meninos e meninas na Web.

O próprio CGI mantém um portal denominado Internet Segura. Nele, é possível encontrar diferentes tipos de materiais, de panfletos a vídeos sobre diferentes temas. Os conteúdos são especificados para distintos públicos, como crianças, adolescentes, pais e educadores, técnicos e interessados em geral.

O portal ensina, por exemplo, como evitar compartilhar boatos, como fortalecer suas senhas e procedimentos de segurança, como configurar verificação em duas etapas, como proteger dispositivos móveis e como se prevenir de códigos maliciosos. Recentemente, foram publicados no site alertas sobre cuidados neste momento de pandemia do novo coronavírus.

O projeto Educamídia, do Instituto Palavra Aberta, também mantém um site. Nele é possível conferir matérias e recursos diferentes para desenvolver atividades de formação voltadas para uma análise crítica do uso de meios de comunicação e tecnologias digitais, como planos de aula, glossário interativo, jogos e uma websérie.

“Estamos tratando criança como nativos digitais, acreditando que já vem de fábrica com chip que permite que ele tenha facilidade no uso de dispositivos. Mas há uma dificuldade de entendimento sobre o potencial de oportunidades que este ambiente traz e potencial de risco e de exposição”, pontuou Patrícia Blanco, diretora do Instituto Palavra Aberta.

Cursos e práticas

A Fundação Getulio Vargas disponibilizou diversos cursos do que chama de “formação em direitos humanos digitais”. As atividades tratam de temas como imagem e direitos na web, acesso à informação, ciberbullying, democracia digital, intimidade na internet, dados para o bem e superexposição na internet.

Os cursos são gratuitos e abertos e podem ser encontrados no site da FGV. O coordenador do projeto, Gustavo Klafke, lembrou que os professores não podem ser considerados super-heróis que resolverão todos os problemas de crianças a adolescentes, mas devem ser apoiados uma vez que são referência importante.

“Se pegar a pesquisa TIC educação [elaborada pelo Comitê Gestor da Internet], a frequência com que professor se depara com pedidos de orientação de alunos, a gente ouve problemas tão específicos que mereciam uma atenção especial, como bullying”, destacou.

A plataforma Pilares do Futuro também possui conteúdo gratuito e disponível na internet. O foco são práticas educativas sendo realizadas em escolas por profissionais de educação. No site é possível tanto encontrar exemplos de atividades quanto publicar exemplos bem sucedidos.

As experiências são avaliadas por uma equipe de curadoria, e indo ao encontro dos parâmetros da plataforma podem ser publicadas. Além disso, a entidade responsável pelo projeto, EducaDigital, também promove eventos de formação com escolas, professores e trabalhadores da área de educação.

“Queremos incentivar autorias de professores e alunos a realizar boas propostas. Temos que envolver os alunos, eles precisam ser ativos no processo de cocriação de práticas. E queremos promover a cultura da colaboração entre escolas”, disse Priscila Gonsales, da equipe do projeto.

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