Muitos trabalhadores assinaram acordo de 40, 60 parcelas e recebem duas ou três (Foto: Amanda Vieira/JP)

Ex-funcionários da empresa Piracema procuraram a reportagem do JP para denunciar que estão sem receber a rescisão contratual. Existem casos em que as parcelas foram suspensas no começo da pandemia e, outros, em que o ex-funcionário não recebeu nenhum valor. A maioria encontra-se desempregada.

Richard Iza Jacob, ex-supervisor de manutenção na Piracema, despedido em outubro de 2019, até hoje não recebeu nenhuma parcela da rescisão. “Não foi pago nada, nem os dias trabalhados [daquele mês] para nós”, conta.

Jacob diz que chegou a assinar, no ano passado, um acordo para receber a rescisão em 60 vezes, mas não houve pagamento. Depois, o acordo foi de 40 parcelas, mas “até agora nada”. O acordo, na época, incluía também o pagamento do FGTS, que segundo funcionários ouvidos pela reportagem, há cinco anos era descontado na folha de pagamento, mas a empresa não fazia o depósito. Assim, aqueles que trabalharam neste período ou menos na empresa não têm como receber esse valor do governo federal.

Jacob conta ainda que, há dois meses, participou de uma reunião no sindicato na qual a proposta da Piracema era não pagar o FGTS, pagando os dias trabalhos e a multa em 30 vezes. Porém, a empresa não começou a pagar aqueles que aceitaram esse acordo, conta Jacob.

Também despedido em outubro de 2019, José Pedro Pereira de Sousa, alinhador de pneus, não recebeu a rescisão. “Ficou na mão do sindicato. […] Até então parou tudo. Não estava depositando o fundo de garantia, só consegui sacar um ano e pouco,” diz. Ele trabalhou por seis anos na empresa.

Nair Lopes dos Santos, que era auxiliar de Departamento Pessoal, despedida em setembro de 2019, também não recebeu nenhuma parcela da rescisão. “Não recebi nenhum centavo, nem o FGTS, faz cinco anos que eles não depositam. Alegam que não têm dinheiro”, conta. Ela entrou na justiça, mas não aceitou o acordo porque perderia metade do valor que tem direito.

No começo da pandemia, a Piracema também parou de pagar as parcelas da rescisão de ex-funcionários que tinham feito acordo diretamente com ela ou na justiça, como é o caso do motorista Edvaldo Gomes da Silva, que recebeu, até abril, quatro das 41 parcelas acordadas em ação trabalhista. Já Gustavo Correa, coordenador de RH, despedido em abril de 2019, fez acordo com a empresa e recebeu nove das 12 parcelas.

Leandro Júnior de Castro, eletricista automotivo, despedido em outubro de 2019, entrou com ação trabalhista e a única parcela depositada foi em fevereiro. Castro fez nova proposta de reduzir pela metade o valor das parcelas e no dobro do tempo. “A empresa se negou a pagar”, disse.

O ex-gerente administrativo Hamilton Dias de Carvalho, despedido em agosto de 2019, tinha uma audiência trabalhista para abril, mas foi prorrogada, sem previsão de data. Ele não aceitou acordo verbal com a empresa de receber a rescisão em 60 vezes.

José Moacir Correa, supervisor de tráfego, foi despedido na “última remessa”, em abril, e também não recebeu a rescisão. Correa conta que espera retorno do sindicato da proposta da empresa.

Segundo o jurídico da Piracema, a empresa não foi vendida, não era fornecedora de serviço à prefeitura ou do transporte público, e está com problemas financeiros devido o impacto da pandemia.

De acordo com primeiro tesoureiro do Sindicato dos Condutores de Veículos, Vladimir de Moraes, o acordo com os despedidos em abril é de pagar apenas o FGTS e o seguro-desemprego. Mas lembra que muitos não têm saldo no FGTS. Moraes afirma que acompanha o caso, mas que não tem muito a ser feito, pois a empresa “praticamente entrou em falência”.

Andressa Mota

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