Ex-ministro da Saúde admite falhas na comunicação da pasta

Teich foi entrevistado por jornalistas de Piracicaba (Foto: Amanda Vieira/JP)

O ex-ministro Nelson Teich admitiu ontem problemas na comunicação do Ministério da Saúde, tanto no fornecimento de dados à imprensa como na maneira de fazer a informação chegar à população.

Teich falou da polêmica em torno da substituição do ex-ministro Luiz Henrique Mandeta e que, por isso, decidiu se manter ausente de algumas coletivas de imprensa promovidas pelo governo.

Quanto a proximidade com a população, ele contou que chegou a visitar algumas regiões do país no início da pandemia. Essas visitas, segundo o médico, faziam parte dos cinco projetos definidos por ele e pela equipe.

“No período em que fiquei acho que nos comunicamos mal”, avaliou acrescentando que se reuniu com a equipe a fim de melhorar a comunicação.

“A comunicação deve ser melhor, faço uma mea culpa aqui, mas naquele momento era tanta coisa que eu quis seguir com a comunicação que já existia”, afirmou.

O ex-ministro disse que é preciso rever a comunicação como forma de aumentar a interação.

Teich foi sabatinado ontem no programa “Parlamento Aberto Entrevista”, da Câmara de Vereadores de Piracicaba. O ex-ministro da classificou como ruim o fato de a pasta, diante da crise gerada pela pandemia da covid-19, permanecer sem a oficialização de um titular desde quando foi sucedido pelo general Eduardo Pazuello, interino há 75 dias.

“Objetivamente falando, acho ruim. Quando você não oficializa a pessoa, você de alguma forma não a está legitimando plenamente. Numa situação como essa, não ter um ministro oficial, até para que ele possa exercer a liderança mais plena, é ruim. Não estou dizendo que não pode ser o Eduardo; pode ser ele, mas para mim não pode ser um ministro interino tanto tempo numa situação como essa”, disse o médico oncologista, que comandou a pasta por 28 dias.

Questionado sobre as condições técnicas do seus substiuto à frente do ministério, Teich foi diplomático e disse que prefere não fazer pré-julgamentos.

“Se você coloca uma pessoa, tem de cobrara resultados, não vou julgar pela formação, é preciso ver a capacidade de forma time e combater a pandemia”, afirmou.

O médico foi o segundo titular a comandar o Ministério da Saúde durante a pandemia do novo coronavírus, Teich, 63, sucedeu Luiz Henrique Mandetta. Ele tomou posse na pasta em 17 de abril, quando o Brasil registrava 33.759 casos confirmados de Covid-19 e 2.143 óbitos, e a deixou em 15 de maio, dia em que o país atingiu 218.223 registros da doença e 14.817 mortes.

Beto Silva