Ex-moradora de rua dá a volta por cima e reconstitui família

Rosiere Martins está longe do crack há mais de 1 ano (Reprodução)

Quem vê Rosiere Martins, 35, atualmente, não imagina as batalhas que venceu contra o preconceito, seus medos e vícios. Hoje, está casada, é mãe de um menino de dois anos, e mora com a família, em Casa Branca. Ela encontrou na fé, sua fortaleza para conseguir dar a volta por cima. Rosiere foi batizada em uma igreja evangélica e desde então, tem conseguido vencer suas batalhas. Há mais de um ano está longe do vício do crack e do álcool. Ela se lembra que seus dias não foram fáceis. Enfrentou longas noites nas ruas de Piracicaba. Sem perspectiva de vida e vencida pelo vício do crack, já chegou a passar noites sem dormir e se alimentar.

Durante anos, morou nas ruas e com a ajuda de algumas pessoas conseguia dinheiro para se alimentar em restaurantes populares. Tentou várias internações para dependentes químicos e perdeu a guarda de seus quatro filhos paraaex-sogra. “Durante uns dois anos já morei na rua. Em Piracicaba, eu dormia na Praça José Bonifácio e em alguns locais nos bairros Esplanada e Bosques do Lenheiro. Mas já fui parar longe, em Campinas, no Paraná e até no Paraguai com caronas”, disse a ex-moradora de rua.

Rosiere disse ainda que, enquanto estava nas ruas descobriu que estava grávida e ainda consumia crack. Para sua surpresa, recebeu o diagnóstico de que também era soropositiva. “Consegui apoio no Centro Pop, fiquei um tempo na Casa do Morador de Rua, tentei algumas internações sem sucesso. Foi a partir da minha gravidez que tive a certeza que o vício não me afastaria de mais um filho. Retornei para minha família e hoje, graças a Deus, tenho minha casa, meu marido, que trabalha de padeiro e meu filho que nãoésoropositivo e também não ficou com nenhuma sequela por causa do meu uso das drogas. Frequento a igreja e se Deus quiser, nunca mais me aproximarei do vício novamente. Estou conseguindo ficar limpa e quero permanecer assim”, desabafou a ex-moradora de rua.

Ela se lembra quando teve parte de seu corpo queimado por um ex-companheiro, que teria jogado um líquido e depois ateado fogo. “Foram dias horríveis, além de tudo o que passei, enfrentar o olhar das pessoas também sempre foi muito difícil. Ao mesmo tempo em que a gente deixa de ser pessoa por causa do vício, também ficamos invisíveis para os demais. É preciso muita força de vontade para conseguir superar tudo isso. Foi difícil, mas por enquanto eu consegui e continuarei”, enfatizou Rosiere.

Para ela, muitos moradores de rua precisam apenas de uma oportunidade para escreverem uma nova história, no entanto, confessa que a pessoa tem que querer ajuda, do contrário, será como papel ao vento e nada terá resultado.

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Cristiani Azanha
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