Ex-PM que atirou em cachorro paga fiança e é libertado; ele não pode voltar ao local por 6 meses

Ele pagou fiança de R$1.000 e vai responder em liberdade pelos crimes de maus-tratos a animais e porte ilegal de arma de fogo

Um ex-policial militar de 70 anos foi preso em flagrante após atirar no cachorro de seu vizinho, no distrito de Tupi, em Piracicaba, na manhã deste domingo (03) e liberado ontem (04) após pagar R$ 1.000 de fiança. O cachorro, de aproximadamente dois anos, que é da raça pastor belga malinois, foi ferido no pescoço e socorrido em estado grave, com alto nível de sangramento, segundo o Centro de Controle de Zoonoses.

Durante coletiva de imprensa realizada na tarde desta segunda-feira na Secretaria de Defesa do Meio Ambiente, a delegada Olivia dos Santos Fonseca, encarregada do caso, explicou que o direito a pagamento de fiança foi concedido ao autor do disparo após a audiência de custódia, pelo juiz, em razão das condições de saúde específicas que ele apresenta.

“É um homem idoso que já passou por duas situações de acidente vascular cerebral, faz uso de 12 medicamentos ao dia e tem uma deficiência auditiva. Porém, apesar de ter pago o valor de R$1.000 ele está proibido de residir em sua propriedade por um período de seis meses e se aproximar do vizinho por menos de 100 metros, por ter feito ameaças de morte ao dono do animal”, ela explicou e complementou de que o autor do disparo pode ser preso caso descumpra as medidas impostas.

De acordo com o boletim de ocorrência, o ex-policial acusado informou que, por várias vezes, os cachorros de seu vizinho invadiram seu terreno, machucaram seus cães e que tinha “prova de tudo”. Ele afirma que neste domingo, novamente, os animais entraram em sua chácara pelos fundos. Entretanto, ainda segundo o documento, não foram constatadas quaisquer lesões neles.

A delegada Olivia afirmou que uma possível omissão quanto à guarda dos animais pelo tutor do cão baleado deve ser investigada pelo Centro de Controle de Zoonoses, mas destacou que o ato do ex-policial militar foi “totalmente desproporcional” e que o cão foi atingido dentro da casa de seu tutor. 

O idoso entregou a arma aos policiais, com onze munições de calibre 38, além de uma caixa contendo mais 50 munições, mas não apresentou qualquer documento de registro, justificando que foi policial militar e deixou a atividade em 1989, e que nunca mais foi atrás de qualquer documentação para regularizar sua arma.

A polícia acionou o veterinário Matheus Ferreira dos Santos, do Núcleo de Bem-Estar Animal da prefeitura, que atendeu o cão, que estava em estado de choque, com uma lesão no lado direito de seu corpo próxima à mandíbula e artéria aorta. Ontem (04), o cão passou por exames. O estado dele é estável e precisará passar por cirurgia de risco para remover o projétil.

Laís Seguin
Rafael Fioravanti

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