Exclusivo: motorista, acusado de acidente que matou mãe e filho, fala sobre o caso

Acusado diz que pretende provar sua inocência

O motorista do Corolla envolvido no acidente que matou mãe e filho na avenida Armando de Salles Oliveira, em agosto deste ano, conversou com exclusividade com o Jornal de Piracicaba sobre sua versão do ocorrido. Denunciado pelo Ministério Público por homicídio por dolo eventual, ele teve a audiência de instrução marcada para às 13h de 23 de novembro. O juiz Luiz Antônio Cunha, da Vara do Júri e Execuções Criminais explicou que na audiência de instrução, se todas as testemunhas comparecerem, serão elas ouvidas e o acusado interrogado, quando só então, após a manifestação das partes do que é denominado de alegações finais, será decidido se ele vai ou não para júri.
O CASO
No domingo, 23 de agosto deste ano, o motorista Renê Aparecido Moura, 52, dirigia o veículo Fiat Uno da família, quando foi atingido pelo Corolla. A dona de casa e Vilmar Alves Moura, 52, e seu filho Gabriel Alves Moura, 26, que estavam no carro e não resistiram. Renê foi socorrido e liberado no mesmo dia. Naquela ocasião, o condutor do Corolla foi autuado em flagrante. Ele ficou cinco dias preso no CDP (Centro de Detenção Provisória), em Piracicaba e depois foi transferido para a Penitenciária de Tremembé. No entanto, no dia 7 de outubro foi colocado em liberdade após conseguir um habeas corpus.

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DESABAFO
O motorista do Corolla disse que acredita ter sido dopado na noite do acidente e que não se recorda com clareza das circunstâncias do ocorrido. Para ele, o acidente foi um sequestro que não deu certo. Afirmou ainda, que o rapaz que teria sido apontado como seu colega era, na verdade, uma pessoa que conheceu na noite do acidente.
“Quero me retratar com a família Moura com grande emoção, sentimentos de tristeza e minhas condolências a todos os familiares, amigos, pois não é fácil defrontar com uma situação como essa”, disse o motorista.
Segundo ele, pretende procurar a família das vítimas, mas ainda não encontrou uma maneira para tratar de uma situação tão difícil.
Ele disse ainda que algumas pessoas entraram em sua rede social e desejaram a morte de sua mãe. “Minha mãe não merece isso, ela ficou viúva aos 23 anos, com quatro filhos, meu pai morreu em um acidente, depois mais tarde, meu padrasto morreu, vítima de câncer. Eu não tenho nada contra essas pessoas, só peço que respeitem a minha família”, enfatizou. “Que a Justiça seja feita, com compaixão de quem não tem nada com isso. Eu também fui vítima. Assim como várias informações mal colocadas. Uma delas é que minha habilitação estava vencida, não era a minha”, enfatizou. “Falaram que eu mostrei agressividade, embriaguez, fugi do local, podem procurar, na foto do acidente, estou sentado na calçada ao lado das vítimas, aguardando os procedimentos. Subi e desci da viatura sozinho, entrei em dois prontos-socorros”, relatou.
ACIDENTE
Sobre a noite do acidente, se recorda que deu carona para um rapaz e decidiram dar uma volta. Enquanto estava dentro do carro sofreu um apagão. “Ouvi dizerem “perdeu”, depois fui agredido na costela e rosto. “ Não me lembro do percurso, quando acordei estava no carro de ponta cabeça. Não sei se estava na direção ou passageiro, Uma vez que não sangrei, pois o airbag do carro (motorista) tinha sangue. Ainda dentro do carro, eu acordei de um dopping, porém vi uma pessoa saindo do carro, pedi ajuda. Soltei-me do cinto. Fui tentar abrir a porta, essa pessoa voltou e pegou alguma coisa. Na minha cabeça eu estava sendo assaltado ou sequestrado e que o pessoal iria terminar o serviço. Tive um novo apagão. Depois, quando acordei já estava na avenida. Achei que poderia escapar dos “bandidos”. Quando estava correndo eu ouvi duas vozes. “Pega ele, achei que seria morto pelas pessoas que iriam me sequestrar. Eu deitei no lugar, quando se aproximaram. Levei um soco no nariz, que foi meu único sangramento. Depois me disseram: “Vai lá ver o que você fez. Eles me levaram ao local do acidente, depois disso não tive mais os picos de consciência, pois como sou altruísta, essa situação me sensibilizou muito”, afirmou.
Quando estava na cela de delegacia, meu coração estava acelerado minha boca estava seca. Achei que era nervoso, mas depois percebi que tinha sido dopado”.
No dia seguinte, ele foi levado ao CDP. Foram dias tensos, segundo ele, pois chegou a ser ameaçado e por questões de segurança foi colocado no “seguro” (cela individual). Depois foi transferido para Tremembé, onde são encaminhados presos de alta periculosidade, com condenações de 30, 60 e até 180 anos. O motorista acredita na Justiça e espera provar sua inocência.

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