“Existe o cansaço, mas a sensação de dever cumprido é maior”

Foto: Carol Camargo

Andréa Cristina Alves Mattedi de Almeida assumiu o cargo de primeira dama após seu marido, Luciano Almeida, ser eleito o Prefeito de Piracicaba, em 2020. Natural de Santa Bárbara d’Oeste, se formou em educação física pela Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), em Rio Claro e, até hoje, aos 55 anos, atua como professora de natação em sua academia.

Com um espírito solidário presente, já deu aula de educação física na Casa do Amor Fraterno, entidade sem fins lucrativos, que visa oferecer proteção social às crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Além de ter trabalhado muitos anos na Festa das Nações, como voluntária na barraca francesa.

Em 11 de dezembro de 2020, foi anunciada como a nova presidente do Fussp (Fundo Social de Solidariedade de Piracicaba), dando-lhe a oportunidade de trazer novos projetos, acompanhar as questões sociais de perto e acolher uma população que se encontra em vulnerabilidade social.

Em 2020, a senhora foi anunciada como a nova presidente do Fundo Social de Solidariedade de Piracicaba. Desde então, qual tem sido o seu maior propósito no cargo?

Procurei aprimorar o que já estava sendo feito pelo Fussp, na promoção do bem-estar social e incentivo à solidariedade no município. A nossa Central de Projetos e Banco de Alimentos trabalham de forma conjunta para ajudar a população em vulnerabilidade social. O Banco de Alimentos é responsável pela arrecadação e distribuição de alimentos perecíveis e não-perecíveis, que são repassados a projetos sociais e às Organizações da Sociedade Civil. Já a Central de Projetos tem o objetivo de oferecer ajuda de caráter emergencial às famílias cadastradas nos Cras (Centros de Referência da Assistência Social). Por meio dela, são arrecadados itens de higiene, fraldas geriátricas, lentes e óculos grau, equipamentos hospitalares, medicamentos, vestuário e móveis. A novidade é que criamos uma plataforma pirasolidaria.com.br, uma ferramenta inédita no setor público, que aproxima as pessoas que querem ajudar das pessoas que precisam de ajuda em Piracicaba. Temos também buscado uma maior aproximação com as entidades assistenciais cadastradas, visando entender suas realidades para assim ajudá-las de maneira mais assertiva.

Houve alguma história/situação que mais a marcou nesta sua trajetória no Fussp? Qual?

Acho que foi no último domingo, 22 de maio, num momento do encerramento da Festa das Nações, quando os visitantes já haviam deixado o Engenho Central. Nós nos reunimos na barraca Alemã, com alguns voluntários e responsáveis pela segurança do evento, entre PMs, bombeiros e guardas-civis, para comer uma pizza e avaliar tudo que aconteceu naqueles cinco dias. Foi o único momento de toda a festa em que eu consegui parar e comer alguma coisa (risos). O cansaço era imenso, mas a sensação de dever cumprido foi maior. Ali, naquela hora, tivemos a consciência de que realizamos um evento ímpar, que foi um sucesso estrondoso e que vai beneficiar mais de 30 mil pessoas atendidas por entidades assistenciais em Piracicaba.

Além do Fussp, há outras áreas que a senhora deseja atuar? Tem outros propósitos ou futuros projetos em mente?

A princípio estamos procurando fazer um trabalho com excelência na promoção do bem-estar social, mas como tudo acontece de maneira muito dinâmica, acabamos expandindo a nossa área de atuação quando nos deparamos com projetos relevantes. Outro dia, uma entidade que trabalha com o atendimento de crianças nos procurou, dizendo que estava planejamento dar aulas de reforço escolar, diante do déficit no aprendizado que as crianças apresentavam no período da pós-pandemia. Elogiei a iniciativa e coloquei a diretora da entidade em contato com o nosso secretário de Educação, Bruno Roza, para que ela explicasse o que queria fazer, alinhando possíveis ações que poderão beneficiar outras escolas municipais num futuro próximo, com aulas de reforço escolar. Muitas vezes o nosso papel é apenas fazer o link entre as entidades assistenciais e a Administração.

Este é o seu primeiro ano com a realização da Festa das Nações, certo? Após dois anos de pandemia, quais as questões mais afetadas nas entidades que dependem da contribuição do evento? E quais são as questões que poderão/devem ser melhoradas?

As entidades sofreram com a perda de arrecadação financeira diante da não realização da Festa das Nações por dois anos consecutivos devido à pandemia do Coronavírus. Isso é muito grave se considerarmos que a maioria delas se mantém em funcionamento durante quase o ano todo com os recursos obtidos neste evento. Por outro lado, temos investido numa aproximação maior com as entidades assistenciais cadastradas no Fussp. Só neste ano eu e a minha equipe já fomos visitar o Lar dos Velhinhos de Piracicaba, Cesac (Centro Social de Assistência e Cultura São José), Casa do Bom Menino, Lar Betel, Centro de Reabilitação, Funjape, Educando pelo Esporte e Passo a Passo. Uma excelente oportunidade para estreitar relacionamentos e verificar quais são as necessidades de cada uma. Outro fato digno de nota é a parceria que desenvolvemos com os supermercados Coop e Maxxi Atacado, que garantem, semanalmente, a doação de até duas toneladas de alimentos em condições de consumo para as instituições filantrópicas cadastradas que servem refeições em suas dependências.

Em março deste ano, o Fundo Social inaugurou a plataforma pirasolidária.com.br. Qual é o propósito da criação e no que a plataforma tem beneficiado até o momento?

A gente escuta muita gente dizendo que gostaria de ajudar as entidades assistenciais idôneas do município, mas que não sabiam como fazer isso na prática. Por isso fiquei muito feliz quando conseguimos lançar em março deste ano a plataforma pirasolidaria.com.br, uma ferramenta inédita no setor público. Uma plataforma dos piracicabanos para os piracicabanos que estão em estado de vulnerabilidade. Ela foi idealizada em meio à pandemia da covid-19, quando identificamos a necessidade de melhorar a organização e logística das atividades das entidades e coletivos que atuam na cidade, visando a melhor distribuição dos recursos. Esta plataforma também é o ponto de encontro entre ONGs, coletivos e os piracicabanos que desejam ser voluntários, criando uma rede de solidariedade, capaz de trazer visibilidade para as ações e projetos sociais. Por meio dela serão divulgadas campanhas que ajudam na promoção social das famílias em situação de vulnerabilidade no município. Para fazer parte os interessados devem realizar o seu cadastro inicial no link pirasolidaria.com.br/cadastro-instituicao. Após o cadastramento as Ongs podem criar campanhas, solicitar doações, criar ações e entrar em contato diretamente com os voluntários cadastrados que disponibilizam um telefone pessoal. Agora não existe mais desculpa para não praticar a solidariedade em Piracicaba.

Neste ano, podemos dizer que houve um interesse maior da população piracicabana em contribuir com a festa solidária? Houve um número maior de voluntários para a Festa das Nações?

A Festa das Nações não era realizada em Piracicaba desde 2020, portanto, era natural que houvesse uma demanda reprimida pela realização deste evento filantrópico, gastronômico e cultural, que conquistou o coração de todos os piracicabanos e visitantes da região. Nem mesmo a onda de frio impediu a participação maciça da população. Passaram pelo Engenho Central, entre os dias 18 e 22 de maio, mais de 80 mil pessoas. O público foi de 20 mil pessoas a mais que a edição de 2019 e bateu recorde de público no formato atual, adotado desde a criação da Fenapi (Associação Cultural Festa das Nações de Piracicaba), em 2016. Com a renda da Festa das Nações, 22 instituições sociais beneficiadas, que atendem aproximadamente 30 mil pessoas em Piracicaba, conseguirão manter seus projetos por boa parte do ano. Podemos creditar esse sucesso ao empenho de todas as secretarias municipais envolvidas, assim como os voluntários que participaram.

Como você avalia a atual situação do Fundo Social em Piracicaba e das contribuições que estão sendo feitas para as pessoas e famílias em questão de vulnerabilidade?

Todo o trabalho tem sido executado de maneira eficiente. Estamos trabalhando também em novo projeto, desenvolvido com empresas privadas, que irá garantir a demanda por cestas básicas e fraldas geriátricas a todas as famílias cadastradas no Fussp durante todo o ano, sem interrupções. As doações recorrentes vão nos permitir fazer um melhor planejamento, aumentando inclusive o número de pessoas beneficiadas. Acredito que em breve teremos boas novidades para anunciar.

Fernanda Rizzi
[email protected]

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