Exportando cultura, sem sair de casa

Foto: Pexels

Adolpho Queiroz, é Secretário de Cultura de Piracicaba

Quatro eventos culturais, com apoio da Secretaria Municipal de Ação Cultural, saltaram das barrancas do rio Piracicaba neste primeiro semestre das nossas atividades, atingiram milhares de pessoas na cidade, no país e, em especial, no exterior. Em março, foi a exposição “Batom, lápis e TPM”, feita exclusivamente por cartunistas mulheres do país e do mundo, que atravessou as fronteiras, com traços vigorosos das nossas artistas do humor gráfico.

Em maio, entre uma hesitação e outra, conseguimos convencer os organizadores da mostra “Almeida Junior”, de que deveriam ousar e, diante do quadro de pandemia, que nos impede a aglomeração de pessoas, tentar uma mostra virtual com seus quase 100 quadros. Questões estéticas à parte, cobradas de forma vigorosa pelos artistas, a mostra igualmente foi um sucesso na cidade, no país e mundo afora, fazendo com que os surpresos e felizes organizadores falassem baixinho nos meus ouvidos, “você estava certo, viu…” Fiquei feliz e muito honrado.

Agora em junho, o nosso Museu Prudente de Moraes, participou também de evento mundial, levando o nome de Piracicaba a outros rincões, estimulando a criançada a apreciar o seu velho casarão, que foi motivo de desenhos que iluminaram o entusiasmo dos organizadores daqui e de outros cantos do planeta.

E teremos na semana que vem, outro evento, com 80 músicos piracicabanos que enfrentarão batalha de mais de 24 horas de música ao vivo, pelas redes sociais, mostrando seus talentos e performances para vários tipos de instrumentos, interpretações e modelos musicais.

Custos destas ações? Financeiramente, quase nada. Algo simbólico e mantido pela boa vontade e competência dos funcionários da nossa equipe, Junior Kadeshi pilotando os dois primeiros; Erica Stoco o do museu e o músico e novo amigo Mauricio Ribeiro, no musical mundial. A pandemia nos trouxe novo desafios, e um deles está sendo o de exportarcultura para além das barrancas do nosso velho rio.

Quem são os nossos novos espectadores? Parentes, amigos, admiradores da nossa cultura de além mar? Quem poderá dizer além dos próprios atores destas proezas, que nas suas redes sociais comentam sobre o agrado a distância de ver o trabalho conhecido e reconhecido fora de nossa cidade.

Creio que não estava nos projetos e planos de ninguém, mas as coisas foram acontecendo de mansinho e assim como temos consumido por aqui cultura mundial nos nossos telejornais, filmes, séries de tv e outras mídias, creio que do lado de lá do mundo, Piracicaba começa a engatinhar no novo modelo de comunicação que o pós pandemia nos indica. Cada vez mais digital, mais inclusiva e sem a necessidade de grandes investimentos.

Tenho guardados comigo os números de links, likes, compartilhamentos, agradecimentos que nos foram enviados pelas nossas iniciativas. Creio que não há necessidade de apresentá-los no momento, mas certamente superam as visitações das nossas exposições presenciais, o comparecimento aos nossos teatros, andanças pelo Engenho e outros espaços públicos sob a nossa responsabilidade.

Não quero, nem pretendo, decretar o final dos tempos para as nossas artes presenciais. Mas de uma coisa tenho absoluta certeza, nunca mais conseguiremos viver sem conversar com amigos que estamos fazendo do outro lado do mundo, pelo espaço virtual. E que dessa nova convivência, venham novos olhares, estímulos e experiências, para fazermos chegar cada vez mais longe o verso “Piracicaba, que eu adoro tanto”.

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