Exposição põe às claras como se livrar de violência psicológica e relação tóxica

Foto: Rafael Bittencourt

Fotógrafa Cibele Bergamo conta que 70% do seu público feminino relata assédio

A fotógrafa Cibele Bergamo está com exposição sobre violência psicológica contra mulheres no Clube Cristóvão Colombo. Longe de fazer uma abordagem sexista, ela inclui também o homem no debate sobre como se enxergar – e se livrar – de uma relação tóxica. Cibele fotografa mulheres comuns – e não modelos – há 11 anos (quase 2.000 mulheres) e conta que 70% do seu público relata abusos por parte do parceiro. ‘Mascaramento da Sociedade: o que é oculto e o que é exposto?’ traz seis perfis de mulheres, cinco nuas – sem expor o sexo – mais a de um homem. O acesso é gratuito pela entrada principal do clube e o estacionamento é gratuito.

“Quando o ensaio fotográfico é feito faz parte do processo a conversa, como ir a uma manicure. Elas começaram a expor os problemas. As histórias são muito parecidas. Quando eles se veem na foto, sofrem um certo impacto positivo e se situam novamente. É um contraponto aos argumentos: ele fala que eu sou feia, gorda. Isso faz com que percam a personalidade. Mesmo diante de uma retomada de consciência, a partir das fotos, a pessoa que vive essa violência não se sustenta e, em pouco tempo, volta para o agressor”, relata Cibele.

A exposição visa esclarecer a abordagem violenta – Cibele também fundou a ONG Clara Zetkin, com 37 voluntários para suporte gratuito às mulheres. “A exposição traz como referência à mascara que, na sociologia, é o que é exposto e oculto.” Ela lembra que a violência psicológica é silenciosa. “As pessoas se escondem na relação fingindo ser boa, mesmo sendo agressiva.”

CONSCIENTIZE-SE
A exposição é construída a partir de fotos e textos para que o visitante absorva, por meio da reflexão, as etapas de como se livrar de um relacionamento tóxico. A primeira aborda o amor romântico, baseado em filmes, no conceito do par perfeito induzindo ao abuso. Segue com autoconhecimento, para colocar limite às situações, e sororidade, quanto ao mito da rivalidade feminina. Na sequência, a necessidade do desapego do agressor e da importância da defesa pessoal e crime de violência psicológica. O fluxo termina com a figura do homem que, aos sofrer a violência, é ridicularizado pela sociedade, sem lei e delegacia específicas para eles.

Cristiane Bonin
[email protected]

LEIA MAIS

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, entre com seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

dezoito − treze =